Trump aprofunda risco global ao declarar tutela dos EUA sobre a Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu um capítulo inédito e arriscado da política externa americana ao afirmar que Washington vai “administrar” a Venezuela por tempo indeterminado, após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças americanas. O movimento recoloca a lógica imperial no centro da disputa regional, com petróleo como eixo explícito.
A declaração foi feita em Mar-a-Lago poucas horas depois da operação que retirou Maduro e a primeira-dama do país. Trump afirmou que os EUA vão emitir ordens ao governo venezuelano e retomar direitos sobre o petróleo, que ele classifica como “ativos americanos roubados”. O gesto, na prática, sinaliza tutela política e econômica sobre uma nação de cerca de 30 milhões de habitantes.
A reação em Caracas veio rápido. Em pronunciamento nacional, a vice-presidenta Delcy Rodríguez acusou Washington de invasão sob falsos pretextos e sustentou que Maduro segue como chefe de Estado. “O que está sendo feito com a Venezuela é uma barbárie”, afirmou, rechaçando qualquer submissão às exigências dos EUA.
Apesar de evitar o termo “ocupação”, a Casa Branca descreve um arranjo de “tutela” com ameaça permanente de nova ofensiva militar. Trump falou em “segunda onda” caso haja resistência e não descartou tropas em solo. Ao seu lado, exibiu a cúpula de segurança nacional como futura administradora do país, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio.
O petróleo aparece como motivação central. Trump afirmou que a Venezuela “sequestrou” plataformas e receitas de empresas americanas e prometeu compensar os EUA antes que os venezuelanos “fiquem ricos”. A retórica ecoa a diplomacia das canhoneiras e remete às intervenções do século 19 e início do 20 na América Latina, agora atualizadas para um cenário de disputa geopolítica e energética.
Do ponto de vista jurídico, o governo americano cita acusações antigas de narcotráfico contra Maduro para justificar a captura. Mas a base legal não sustenta a pretensão de governar o país, lacuna que amplia o risco de escalada, isolamento internacional e resistência interna.
Especialistas alertam para o efeito dominó. Qualquer transição exige adesão das forças armadas e dos diferentes campos políticos. Fragmentação militar pode levar à violência; unidade sob tutela externa tende a corroer legitimidade. Em ambos os cenários, cresce o risco de um conflito prolongado, exatamente o tipo de “guerra sem fim” que parte da base de Trump rejeita.
Ao declarar tutela e mirar o petróleo, Trump empurra os EUA para uma aventura imperial sem saída clara, com custos humanos e políticos elevados para a região. A América do Sul volta a ser tratada como quintal estratégico. A história mostra como isso termina.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




