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Trump tem força para reverter a inelegibilidade de Bolsonaro?

A posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos trouxe à tona um enredo que mescla política, diplomacia e polêmicas envolvendo líderes da direita global. Jair Bolsonaro, proibido de viajar ao exterior por decisão do ministro Alexandre de Moraes, foi representado em Washington pela esposa, Michelle Bolsonaro, e pelo filho Eduardo Bolsonaro, enquanto Steve Bannon, estrategista ultradireitista, atacava duramente as autoridades brasileiras.

Steve Bannon, conhecido por sua proximidade com Trump e sua visão ultraconservadora, não poupou críticas ao Brasil. Chamou Alexandre de Moraes de “corrupto” e ameaçou mobilizar líderes americanos, como o senador Marco Rubio, para pressionar o país. Seu foco? Reverter a inelegibilidade de Bolsonaro e desestabilizar decisões judiciais brasileiras que afetam a extrema direita.

Bolsonaro, por sua vez, mesmo impedido de comparecer, utilizou as redes sociais para expressar apoio a Trump. Em tom enigmático, publicou uma foto de Michelle e Eduardo em Washington com a legenda “grande dia”, um bordão que reforça sua conexão simbólica com o presidente americano e o movimento MAGA (Make America Great Again).

A decisão de Moraes de reter o passaporte de Bolsonaro é uma medida cautelar dentro das investigações que apuram sua possível participação em atos antidemocráticos no Brasil. O ministro justificou o ato como necessário para evitar que Bolsonaro se exilasse, dificultando seu retorno ao país e o andamento das investigações.

A ligação entre Trump, Bannon e Bolsonaro não é nova. O trio compartilha estratégias, discursos e uma visão de mundo marcada por populismo, conservadorismo e rejeição a instituições tradicionais. Bannon, que já cumpriu pena por desrespeitar a justiça americana, enxerga em Bolsonaro um símbolo de resistência contra o que chama de “avanço comunista” no hemisfério sul.

Trump, por outro lado, mantém sua retórica de grandeza e polarização. A presença de Eduardo Bolsonaro em Washington reforça essa ponte entre o presidente americano e a direita brasileira, mesmo em meio às restrições impostas pela justiça.

As declarações de Bannon sugerem que a direita americana vê o Brasil como um campo estratégico de influência política. A pressão internacional sobre o STF e o governo brasileiro, caso ocorra, poderá acirrar ainda mais os ânimos no cenário interno.

Além disso, a tentativa de reabilitar Bolsonaro politicamente não apenas mantém viva a polarização no Brasil, como também alimenta uma narrativa global de enfrentamento às instituições democráticas.

O episódio reforça a importância de decisões firmes e transparentes no Brasil. Para além das disputas políticas, está em jogo a defesa da soberania nacional e o equilíbrio entre os poderes.

Enquanto isso, Bolsonaro continua a agir nos bastidores, utilizando aliados como Bannon e plataformas como o X (antigo Twitter) para projetar sua imagem e enfrentar as decisões judiciais que o afetam.

O desfecho dessa conexão entre Trump, Bolsonaro e Bannon poderá redefinir os rumos da direita global e, consequentemente, influenciar o cenário político brasileiro nos próximos anos.

Antevendo essa discussão, a presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou na semana passada que os Bolsonaros, que tanto idolatram Donald Trump, deviam pedir logo a ele que lhes conceda a cidadania estadunidense e deixar em paz o povo brasileiro.

“Talvez seja mais útil do que pedir ao chefão que interfira na Justiça e na política do Brasil como andam fazendo, para tentar livrá-los da cadeia”, recomendou a dirigente petista.

Gleisi observou que o clã Bolsonaro não teve vergonha de pedir a Trump que cancele o visto de entrada do ministro Alexandre de Moraes nos EUA.

“Se a gente lembrar que o inelegível bateu continência pra bandeira dos EUA quando era presidente do Brasil, tanta subserviência a um governo estrangeiro não é novidade”, recordou a presidenta do PT.

Pela dura intervenção de Gleisi Hoffmann, dificilmente Trump encontrará espaço para interferir e reverter a inelegibilidade de Bolsonaro.

Pelo sim, pelo não, o ex-presidente Bolsonaro colocou Eduardo e Michelle à prova como possíveis herdeiros políticos, ao escolhê-los como seus representantes na posse de Trump.

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