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A parceria mais improvável e explosiva da política americana implodiu em cadeia nacional. Donald Trump e Elon Musk, que juntos reconduziram a direita ao poder nos Estados Unidos, protagonizaram em junho de 2025 uma briga pública de proporções bilionárias — política, econômica e institucionalmente.
O estopim foi a crítica de Musk ao projeto de lei orçamentária defendido por Trump no Congresso. Durante coletiva no Salão Oval com o chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente desabafou: “Estou muito decepcionado com Elon”. A partir daí, os dois bilionários engajaram-se numa troca de acusações violentas nas redes sociais, com ameaças mútuas, ataques pessoais e repercussões diretas no mercado.
“Sem mim, Trump teria perdido a eleição”, avalia Musk.
O dono do X, antigo Twitter, gastou um quarto de bilhão de dólares no ano passado para ajudar a levar Trump ao poder e emitiu um aviso em sua rede social aos legisladores que estavam avaliando se apoiariam ou não a proposta de Trump que estouraria o orçamento: “Trump tem 3,5 anos como presidente, mas eu estarei por aqui por mais de 40 anos”, lembrou Elon Musk.
Aliança de conveniência chega ao fim
A relação entre Trump e Musk, que já vinha desgastada desde a saída do empresário do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), não resistiu às divergências sobre o destino da política fiscal. O presidente revogou o Mandato de Veículos Elétricos — vitrine da agenda verde do governo — e abriu caminho para subsídios aos combustíveis fósseis.
Musk, sentindo-se traído, atacou duramente o projeto: “uma montanha de gordura porca”. Trump respondeu sugerindo o corte de contratos governamentais com as empresas de Musk, como SpaceX e Tesla: “A maneira mais fácil de economizar bilhões é encerrar os subsídios a Elon”.
Mercado derrete com crise institucional
O impacto foi imediato. As ações da Tesla despencaram 14%, representando uma perda de US$ 150 bilhões em valor de mercado. A Trump Media, empresa controladora da Truth Social, também caiu 8%.
Num contra-ataque de alto risco, Musk insinuou que Trump estaria nos documentos sigilosos do caso Jeffrey Epstein — sem apresentar provas. Acusou o presidente de “ingratidão” e chegou a cogitar a criação de um novo partido político para “representar os 80% esquecidos”.
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Tensão no Congresso e na base republicana
Nos bastidores do Congresso, aliados de Trump manifestaram preocupação. Há receio de que Musk financie candidatos alternativos nas eleições legislativas de 2026, desestabilizando a já fragmentada base republicana.
Fontes próximas ao governo revelaram ao New York Times que a Casa Branca se prepara para um “conflito prolongado” com o bilionário. O risco é que o embate escale para o campo institucional, com prejuízos à segurança espacial, à indústria automotiva e à governabilidade de Trump.
Guerra nas redes e ameaça à NASA
Na rede X, Musk anunciou que iniciaria o descomissionamento da nave Dragon, essencial para os contratos da NASA com a SpaceX. Mais tarde, recuou. Ainda assim, a ameaça lançou dúvidas sobre a confiabilidade dos acordos entre governo e setor privado.
Em tom agressivo, também endossou um post pedindo o impeachment de Trump e sua substituição pelo vice JD Vance. Além disso, criticou as tarifas de importação defendidas pelo presidente: “As tarifas de Trump causarão recessão no segundo semestre deste ano”, escreveu.
Diagnóstico de um rompimento anunciado
A parceria entre os dois já dava sinais de esgotamento. Embora Musk tenha investido mais de US$ 275 milhões na campanha de Trump em 2024, suas divergências sobre gastos públicos, energia e imigração vinham crescendo.
O ápice do desgaste se deu na última semana, quando Trump fez piadas públicas sobre um hematoma no rosto de Musk — causado, segundo o empresário, por seu filho. A humilhação pública selou o fim de um relacionamento marcado por conveniência e oportunismo.
Riscos e projeções para 2026
O colapso da aliança entre Trump e Musk marca um novo capítulo na política americana. De um lado, revela as fraturas internas do trumpismo em seu segundo mandato. De outro, expõe o poder descomunal dos bilionários sobre as engrenagens do Estado.
Se Musk decidir mesmo criar um novo partido, poderá reconfigurar a disputa legislativa de 2026, especialmente se atrair o eleitorado moderado e frustrado com o establishment. O risco, para Trump, é ver sua base se dividir entre radicais e tecnocratas.
Sobre as eleições 2026 nos EUA
As eleições legislativas de 2026 nos Estados Unidos, agendadas para 3 de novembro, prometem ser um divisor de águas na política americana e internacional. No epicentro dessa disputa estarão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas no Senado, em meio ao turbulento segundo mandato de Donald Trump.
O pleito ocorre em um ambiente de forte polarização e tensão institucional. Com Musk ameaçando financiar adversários internos, os republicanos buscam consolidar maioria no Congresso enquanto enfrentam fissuras internas e protestos contra a agenda econômica do presidente.
Além do Congresso, os americanos votarão em 39 governos estaduais e territoriais, com destaque para estados estratégicos como Califórnia, Texas, Michigan, Flórida e Geórgia. Estão previstas também eleições para procuradores-gerais, secretários de estado, tesoureiros, auditores e legislaturas locais, além de disputas para prefeito em cidades-chave como Los Angeles, Louisville, Oakland e Washington, D.C.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




