Trump anuncia controle dos EUA sobre Venezuela após prisão de Maduro

Venezuela vive uma escalada sem precedentes após o presidente Donald Trump afirmar que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro e que Washington vai “administrar” o país até uma transição de poder. A declaração, feita após ataques em Caracas e outras regiões, abriu um cenário de ocupação indefinida, com foco explícito no controle do petróleo.

Segundo a Casa Branca, forças especiais americanas, com apoio de inteligência, prenderam Maduro e a primeira-dama Cilia Flores e os levaram para custódia nos EUA, onde enfrentariam acusações criminais antigas, retomadas agora como justificativa política e militar. Trump disse não temer “botas no chão” e evitou detalhar como seria a gestão do território venezuelano.

A retórica presidencial deixou claro o eixo econômico da operação. Trump afirmou que empresas americanas reconstruiriam a infraestrutura energética e que a presença dos EUA “não custaria nada”, pois o petróleo venezuelano geraria receitas. Na prática, o discurso associa mudança de regime à exploração direta das maiores reservas de petróleo do mundo.

No plano interno venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodríguez denunciou na TV estatal um “ataque brutal” e exigiu prova de vida de Maduro. Horas depois, Trump declarou que ela estaria disposta a colaborar com os EUA, uma contradição que expõe o vácuo institucional aberto pela operação e a disputa de narrativas em curso.

A ofensiva foi precedida por meses de bloqueio naval, apreensão de petroleiros e ataques a embarcações sob a alegação de combate ao narcotráfico. Especialistas em direito internacional ouvidos pela imprensa americana apontam risco de execuções extrajudiciais e violação das Convenções de Genebra, tese rejeitada pela Casa Branca.

A reação internacional foi imediata. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação como uma afronta à soberania venezuelana e um precedente perigoso para a América do Sul. Gustavo Petro rejeitou a agressão e anunciou reforço na fronteira diante do risco de fluxo de refugiados. Gabriel Boric pediu solução pacífica, enquanto Cuba e Rússia condenaram duramente a intervenção.

Na Europa, líderes defenderam contenção e respeito ao direito internacional. Já o argentino Javier Milei celebrou a captura de Maduro, alinhando-se à estratégia de Washington. O contraste revela uma América Latina dividida entre a defesa da soberania e a aposta em mudanças impostas de fora.
O episódio remete à invasão do Panamá em 1989, quando os EUA capturaram Manuel Noriega sob acusações de narcotráfico. A diferença agora é a escala energética envolvida e a promessa explícita de administrar um país inteiro, sem cronograma claro de saída.

A fala de Trump escancara a lógica do poder: soberania relativizada, petróleo no centro e direito internacional tratado como obstáculo. Para a região, o risco é alto. A normalização de intervenções desse tipo fragiliza democracias, amplia instabilidades e reabre feridas históricas.

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