O ministro do STF Dias Toffoli determinou que a Polícia Federal envie ao Supremo a íntegra do material extraído de celulares e outras mídias apreendidas na investigação do caso Banco Master, com laudos periciais e dados telemáticos, informáticos e telefônicos.
A decisão foi assinada nesta quinta-feira (12), um dia depois de virar pública a informação de que a PF levou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório apontando menções a Toffoli em conversas atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master.
O despacho de Toffoli manda a corporação remeter não só o conteúdo bruto dos aparelhos, mas também perícias completas e outros elementos já documentados que ainda não teriam sido juntados ao inquérito. Na prática, o relator puxa para dentro do STF o coração probatório do caso.
O movimento acontece sob pressão interna na Corte. Ministros do Supremo avaliam que a crise é “sem precedentes” porque o caso mistura suspeitas bilionárias no sistema financeiro com desgaste institucional, justamente quando a investigação se aproxima de autoridades com foro.
O ponto mais sensível é a suspeição. A PF indicou a Fachin que haveria sinais de possível conflito de interesse, a partir de diálogos em que aparecem referências a pagamentos ligados à Maridt Participações S.A., empresa ligada à família do ministro, e mensagens de contato social entre pessoas do círculo do banqueiro.
Toffoli reagiu com nota. Ele confirmou participação societária na Maridt, disse que a empresa é familiar e administrada por parentes, afirmou que tudo teria sido declarado à Receita Federal e negou receber valores de Vorcaro ou de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.
O caso Banco Master ganhou escala depois que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco em 18 de novembro de 2025, no contexto de apurações sobre fraudes e uso de estruturas financeiras para operações irregulares. Desde então, a investigação virou um teste de governança para o sistema financeiro e de credibilidade para o STF.
O próximo passo tende a recair sobre a Procuradoria-Geral da República (PGR), que pode avaliar o material e decidir se há desdobramentos. Paralelamente, o Supremo precisa resolver o nó político-jurídico: preservar o devido processo sem deixar sombra sobre o julgador.
No fim, não existe saída limpa quando a Corte hesita em enfrentar conflitos de interesse com transparência. O Supremo só se protege, e protege a democracia, quando trata suspeitas com rigor e sem corporativismo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




