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A ofensiva de Donald Trump, com taxação das exportações e ameaça de sanções contra a moeda e a economia brasileiras, reacendeu a discussão sobre encampar o Banco Central, às vésperas do 7 de setembro e das mobilizações da Semana da Pátria.
Soberania em disputa
A Lei Complementar 179, sancionada em fevereiro de 2021 por Jair Bolsonaro (PL), estabeleceu a chamada autonomia do Banco Central.
Desde então, a instituição passou a ser acusada de operar sob influência da Faria Lima, distante do interesse público.
Sob Roberto Campos Neto e, agora, Gabriel Galípio, o BC foi apontado como instrumento dos banqueiros e não da política de desenvolvimento nacional.
O avanço das tarifas de Trump expôs a vulnerabilidade da economia brasileira a ataques especulativos e pressões externas.
Nesse contexto, líderes do governo Lula (PT) voltaram a discutir a necessidade de reverter a autonomia do BC como parte de um projeto de soberania.
Haddad e Lula em sintonia
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que “o Brasil não pode servir de quintal de ninguém”.
A fala reforça a linha de defesa da soberania nacional que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem sustentando em discursos e medidas.
Lula se apresenta como guardião do Pix, das empresas e empregos brasileiros, além de promotor da taxação dos super-ricos e da isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil.
No Palácio do Planalto, a leitura é de que encampar o Banco Central seria um passo para blindar o país contra especulações e sanções externas.
Seria também uma resposta ao crescente tensionamento diplomático com os EUA sob Trump.
Semana da Pátria como palco

O debate sobre o Banco Central se cruza com a simbologia política do 7 de setembro.
De um lado, Lula e o PT pretendem mobilizar a esquerda e ressignificar as cores verde e amarela, antes sequestradas pela extrema direita.
Do outro, o pastor Silas Malafaia e aliados de Jair Bolsonaro preparam atos em defesa do ex-presidente.
A disputa pelas ruas será um termômetro de força política e de legitimidade popular para ambos os campos.
Enquanto Lula aposta na narrativa de soberania e na retomada do protagonismo popular, os bolsonaristas buscam manter a chama acesa contra o STF e as instituições democráticas.
O 7 de setembro também será marcado pela disputa simbólica das cores.
Lula e o PT retomaram o verde e amarelo da bandeira, capturado pela extrema direita na última década.
Restará a Malafaia e aos bolsonaristas a camisa vermelha da seleção, associada à reserva, numa inversão que simboliza o isolamento político desse campo.
Encampanhar o BC contra inimigos externos

O encampamento do Banco Central deixaria de ser apenas uma pauta técnica para se tornar bandeira de soberania nacional.
Diante da ofensiva de Trump e da persistente influência da Faria Lima, Lula e o PT têm, neste 7 de setembro, uma oportunidade histórica para recolocar o BC a serviço da sociedade.
O país só será soberano quando sua política monetária deixar de ser controlada por interesses externos e especulativos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




