A candidata à Prefeitura de Curitiba, Cristina Graeml (PMB), tem enfrentado duras críticas após apresentar em seu plano de governo a proposta de “passagem proporcional” para o transporte público.
A ideia é simples na teoria: cobrar dos passageiros de acordo com a distância percorrida.
No entanto, na prática, essa medida pode agravar ainda mais as desigualdades sociais na capital paranaense.
Graeml defende que “não é justo” alguém que atravessa a cidade pagar o mesmo que quem faz percursos mais curtos.
Contudo, esquece que os moradores das regiões periféricas, muitas vezes, não têm escolha.
São pessoas que dependem do transporte público para trabalhar, estudar e ter acesso a serviços básicos, e que já enfrentam longas jornadas diárias em deslocamentos.
A proposta lembra a polêmica estratégia adotada pelo deputado federal Celso Russomanno (Republicanos) em 2012, quando concorreu à Prefeitura de São Paulo.
Na ocasião, a ideia contribuiu para a queda de Russomanno nas pesquisas, justamente por penalizar os mais pobres.
Em debate recente na TV Band, o candidato Eduardo Pimentel (PSD) confrontou Graeml sobre o tema, alertando que bairros como Tatuquara, Sítio Cercado, CIC, Boqueirão, Cajuru, Atuba, Bairro Alto e Santa Cândida seriam diretamente afetados.
São regiões com alta densidade populacional e que concentram grande parte da força de trabalho da cidade.
Graeml argumenta que sua proposta incentivaria as pessoas a “empreender e trabalhar mais próximo de suas casas”.
Mas será que a solução é transferir a responsabilidade para o cidadão, ignorando a falta de oportunidades e infraestrutura nas periferias?
Curitiba sempre foi referência em transporte público integrado.
Com uma única passagem, é possível se deslocar entre a capital e municípios da região metropolitana, beneficiando milhões de usuários mensalmente.
A tarifa única é uma conquista que promove inclusão e mobilidade urbana.
Alterar esse modelo poderia não apenas onerar quem mais precisa, mas também fragmentar o sistema de transporte, aumentando a desigualdade.
Além disso, a implementação de um sistema de cobrança por distância exigiria um investimento tecnológico significativo, cujos custos poderiam ser repassados aos usuários.
Enquanto isso, o atual vice-prefeito e candidato Eduardo Pimentel propõe alternativas como a Tarifa Zero para desempregados e descontos nos finais de semana.
São medidas que buscam facilitar o acesso ao transporte, em vez de restringi-lo.
É fundamental que políticas públicas sejam pensadas para reduzir desigualdades, não para ampliá-las.
Penalizar os moradores das periferias não é o caminho para uma Curitiba mais justa e igualitária.
A mobilidade urbana deve ser um direito de todos, independentemente de onde moram ou para onde vão.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




