Tarcísio de Freitas prometeu trabalhar pela candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro após perceber que qualquer distanciamento do clã pode custar caro. Pesquisas internas mostram Jair Bolsonaro como o principal líder da direita e um eventual racha colocaria em risco a própria reeleição do governador em São Paulo.
Em seu primeiro ato público depois da crise com os Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), tratou de selar a reaproximação. Disse que nunca sofreu pressão do ex-presidente e afirmou que seu candidato ao Planalto é Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado diretamente pelo pai.
A declaração ocorreu durante entrega de moradias em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Ali, Tarcísio buscou estancar o desgaste causado pelo cancelamento de uma visita a Jair Bolsonaro, autorizado pelo STF, mas abortado de última hora.
Segundo o governador, o recuo na agenda foi apenas um problema pessoal e de calendário. A versão, porém, não convenceu aliados bolsonaristas, que atribuem o cancelamento ao incômodo de Tarcísio com a pressão pública de Flávio, que falara em “enquadramento” político.
Nos bastidores, a leitura é objetiva. Levantamentos eleitorais mostram Bolsonaro, mesmo fora do jogo formal, como o grande fiador da direita. Romper com o clã significaria perder base, militância e blindagem política em São Paulo.
Tarcísio negou qualquer plano presidencial próprio e repetiu o mantra de fidelidade. Disse que desde 2023 afirma apoiar Bolsonaro ou quem ele indicasse e que agora o nome é Flávio. Ao ser questionado, reagiu: “Mais enfático do que isso?”.
A ofensiva verbal mira um objetivo claro. Preservar a ponte com o bolsonarismo para não transformar a disputa paulista de 2026 em um campo minado. Sem Bolsonaro, Tarcísio ficaria exposto tanto à direita radical quanto aos adversários de centro e esquerda.
O episódio revela que, apesar do figurino técnico e do discurso moderado, o governador sabe onde está o eixo real de poder do seu eleitorado. Afastar-se do clã pode até agradar setores do mercado, mas cobra um preço alto nas urnas.
No xadrez da direita, Tarcísio volta a jogar como coadjuvante disciplinado. Não por convicção ideológica apenas, mas por cálculo eleitoral. Em São Paulo, romper com Bolsonaro ainda é um luxo que poucos podem pagar.
Ao jurar lealdade a Flávio, Tarcísio tenta apagar o incêndio antes que ele chegue às urnas. O movimento confirma que, goste-se ou não, Bolsonaro segue sendo o dono do apito na direita brasileira.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




