14 de abril de 2016
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Coluna do Reinaldo de Almeida César: Ausência de diálogo compromete o governo de Beto Richa

Reinaldo de Almeida Cesar*

Enquanto o mundo tremia na agitação de maio de 1968, por aqui, em terras nativas, os estudantes tomaram a reitoria da UFPR em protesto contra o anunciado acordo MEC-USAID. Na linha de frente, idealistas de ontem e de hoje, como Stenio Jacob, Luis Manfredini, Zequinha Ferreira, Clair Flora Martins e tantos outros. O quadro ficou muito tenso, com ares de tragédia anunciada, pela confirmação de que era iminente uma enérgica intervenção do Exército.

Nesta época, o Paraná tinha um grande, melhor dizendo, um extraordinário governador, Paulo Cruz Pimentel.

Com sua aguçada sensibilidade política, notável inteligência e vocação para o diálogo e para a democracia, Paulo Pimentel — com o auxílio de seu secretário de Segurança Pública, o honrado José Munhoz de Mello, esteio de uma família de grandes juristas — empenhou-se até o último e pessoalmente negociou com os estudantes a saída pacífica do prédio. O Governador Paulo Pimentel evitou, assim, um derramamento de sangue, que mancharia o Paraná para sempre.

É verdade que, na saída da reitoria, os estudantes levaram de arrasto o busto de Flavio Suplicy de Lacerda, mas essa é uma outra e saborosa história.

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Alvaro Dias teve uma carreira política fulgurante. Chegou ao Senado Federal aos 38 anos de idade, na eleição de 1982, em dobrada com José Richa.

Dali para o Palácio Iguaçu foi um passeio, com um pequeno susto quando algumas forças políticas se mobilizaram para lançar Deni Schwartz ao governo. Lembro-me perfeitamente quando meu querido pai organizou uma reunião gigantesca, na pequenina Ivaí, reunindo cen

15 de outubro de 2015
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Coluna do Reinaldo de Almeida César: A vida difícil e incerta dos policiais

Reinaldo de Almeida César*

A prisão do Delegado Rubens Recalcatti mexeu com corações e mentes, ocupando significativo espaço na mídia impressa tradicional, nas redes sociais e nas rodas de palitinho na Boca Maldita.

Por dever de consciência, registro aqui uma palavra de estímulo e solidariedade, sem prejuízo do reconhecimento do trabalho muito técnico levado a efeito, uma vez mais, pelo Gaeco.

O delegado Recalcatti é um dos mais extraordinários profissionais que conheci. Competente, dedicado, muito vocacionado para a atividade investigativa e incansável para o trabalho. É verdadeiramente, um líder admirado na sua instituição.

Ao tempo em que ocupei a SESP, só tenho boas lembranças e as melhores referências e elogios a lhe fazer, dizendo isso sem favor algum ao Recalcatti, que nunca me pediu nada, nunca foi meu assessor direto, mas sempre apresentou ótimos resultados no combate à criminalidade.

Fico na torcida, então, que pela ampla defesa e exercendo o contraditório, ele possa rapidamente dissipar os fatos que motivaram sua privação de liberdade.

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Já disse várias vezes e em tantas outras fui irritantemente repetitivo ao escrever que o policial – militar ou civil – é uma categoria diferenciada no funcionalismo.

Não é nem melhor, nem pior que as outras. Mas, é diferenciada.

A começar pelo fato de que os policiais formam a única categoria do serviço público (ao lado do efetivo das Forças Armadas, é óbvio), que ao tomar posse juram solenemente exercer a função entregando a própria vida, se preciso.

Vivem sob constante tensão, em stress permanente, com adrenalina a mil.

Muitos sucumbem à embriaguez, acabam tendo desajustes familiares, cometem suicídio.

Não raras vezes, policiais militares evitam tragédias em família e fazem parto em viatura a caminho do hospital. Bombeiros retiram crianças quase já em óbito no mar revolto, para recuperá-las para a vida, nas areias da praia.

Tente imaginar viver a rotina diária em um quartel, um batalhão, uma delegacia abarrotada de presos, uma ronda em local ermo, um confronto aberto com cri