Índice de Tópicos
Sergio Moro (PL) lidera a disputa pelo Governo do Paraná com 39%, mas a instabilidade do eleitor, as chapas incompletas e a disputa pelo destino de Rafael Greca (MDB) impediram que a Superlive do Blog do Esmael, realizada na segunda-feira, 27 de julho, tratasse a pesquisa Genial/Quaest como resultado antecipado da eleição de 4 de outubro. O debate reuniu jornalistas de Curitiba, Cascavel, Maringá e Ponta Grossa, além de um especialista em pesquisa, e localizou os conflitos que os números nacionais não resolvem.
A Quaest ouviu presencialmente 1.104 eleitores entre 21 e 25 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento, contratado pela Genial Investimentos, está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-04818/2026.
No principal cenário para o governo, Moro tem 39%, Requião Filho (PDT) aparece com 18%, Greca registra 12% e Sandro Alex (PSD) marca 7%. Luiz França (Missão) e Tony Garcia (DC) têm 1% cada. Os indecisos somam 15%, enquanto branco, nulo ou abstenção declarada alcançam 7%.
O dado que conteve a tentação de encerrar a disputa foi a volatilidade: 64% disseram que ainda podem mudar o voto para governador. Apenas 35% declararam escolha definitiva. A pesquisa oferece uma liderança larga a Moro, mas também mede uma eleição na qual quase dois de cada três entrevistados não fecharam a porta para outra candidatura.
Participaram da Superlive o jornalista e radialista Valdomiro Cantini, apresentador do Microfone Aberto, da Massa FM de Cascavel; o jornalista Angelo Rigon, blogueiro de Maringá; o jornalista João Barbiero, diretor do Grupo D’Ponta Mídias e Consultoria; e Ricieri Garbelini, professor de marketing, especialista em marketing político e diretor da IRG Pesquisa. A mediação foi do jornalista e advogado Esmael Morais, fundador do Blog do Esmael.
Cantini avaliou que a Quaest foi favorável a Moro e identificou um patamar próximo de 40% para o senador. O jornalista, porém, não viu movimento equivalente nos adversários: Requião Filho permanece na faixa próxima de 20%, Greca perdeu algum espaço e Sandro ainda não transformou a estrutura partidária, os apoios municipais e a associação com Ratinho Junior (PSD) em intenção de voto.
Rigon atribuiu parte da vantagem de Moro à memória eleitoral da Operação Lava Jato. Para o jornalista de Maringá, o fato político mais relevante não está apenas no líder, mas no destino de Greca. A permanência ou retirada do ex-prefeito de Curitiba altera a distribuição de votos na capital e na Região Metropolitana de Curitiba, onde ele concentra sua principal força.
Garbelini advertiu que uma pesquisa é um retrato produzido por método, amostra e período de campo determinados. O diretor da IRG afirmou que diferentes levantamentos podem encontrar resultados distintos sem que a diferença, isoladamente, prove erro. Ao calcular a possibilidade de vitória no primeiro turno, sustentou que Moro ainda não dispõe, no cenário atual, de percentual suficiente para ser declarado vencedor antecipadamente.
Ratinho mantém aprovação, mas Sandro estaciona em 7%
A contradição mais dura para o Palácio Iguaçu apareceu na mesma pesquisa. O governo Ratinho Junior tem 81% de aprovação, e 63% dos entrevistados afirmam que o governador merece eleger o sucessor. Sandro Alex, escolhido pelo grupo governista, ficou em 7%.
Cantini relatou que pesquisas internas conhecidas por ele colocam Sandro abaixo de 5% na região de Cascavel. A afirmação foi apresentada como informação do debatedor, sem divulgação da metodologia ou do contratante desses levantamentos, e não pode ser comparada diretamente à Quaest.
Barbiero localizou a dificuldade na própria base eleitoral de Sandro. Segundo ele, conflitos acumulados em Ponta Grossa reduziram a capacidade de o candidato governista dominar sua cidade de origem. O jornalista citou o rompimento político com a prefeita Elizabeth Schmidt (PL) e adversários locais como obstáculos para uma candidatura que precisa demonstrar força nos Campos Gerais antes de pedir o comando do estado.
Os debatedores não descartaram reação. A estrutura do Governo do Paraná, a presença do PSD em prefeituras e a exposição de campanha podem elevar o conhecimento de Sandro. O conflito é de prazo: a campanha começa formalmente em 16 de agosto e o primeiro turno ocorre em 4 de outubro. Aprovação administrativa não entra automaticamente na urna com o nome escolhido pelo governador.
Greca concentra a decisão que falta ao MDB
Greca foi o personagem mais citado quando o debate saiu dos percentuais e entrou nas convenções. O ex-prefeito marca 12%, afirma que será homologado pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 2 de agosto e, ao mesmo tempo, tornou-se peça de negociação entre os blocos de Sandro e Moro.
Cantini e Esmael relataram ter recebido informação sobre uma conversa entre Greca e Moro em Curitiba. A reunião não foi documentada durante a transmissão, e seu conteúdo apareceu como informação de bastidor atribuída. Cantini afirmou que Moro não teria oferecido a vaga de vice ao emedebista. Essa versão depende de confirmação dos envolvidos.
O dado público é que Greca e o deputado federal Sergio Souza (MDB) convidaram o empresário Fernando Mantovani para compor uma chapa própria. A decisão partidária, entretanto, pertence à convenção e à ata. O MDB ainda precisa esclarecer se homologará candidatura própria, autorizará alianças posteriores ou entregará à direção poder para completar a chapa.
No Senado, a incerteza é ainda maior. A Quaest mostrou que 68% dos eleitores ainda podem mudar seus votos. Como duas vagas estarão em disputa, cada entrevistado pôde indicar uma escolha para o primeiro voto e outra para o segundo. A soma ou a combinação dessas respostas produz percentuais diferentes, razão pela qual números de bases distintas não podem ser apresentados como se fossem o mesmo cenário.
Alvaro Dias lidera o cenário do primeiro voto com 20%, mas sua candidatura não está confirmada. Cantini relatou que o ex-senador condiciona a entrada na disputa a uma chapa unificada e ao apoio do grupo governista. A fala mostra uma negociação política, não uma homologação.
Deltan Dallagnol (Novo) aparece competitivo, mas sua presença na urna continua submetida ao processo de registro e à análise da Justiça Eleitoral. Durante a Superlive, Esmael destacou que os pareceres jurídicos apresentados por Deltan defendem a elegibilidade, mas não equivalem a uma certidão ou decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).
O debate terminou sem proclamar vencedores. Moro começa a campanha na frente; Requião Filho possui a segunda posição; Greca concentra poder de negociação; Sandro precisa converter Ratinho em votos; e o Senado reúne candidatos competitivos sem duas chapas definitivamente fechadas. A Quaest organizou a fotografia de julho. As convenções, os registros e os 64% que admitem mudar o voto decidirão se ela resistirá até outubro.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das convenções, dos registros de candidatura e das eleições de 2026.
Superlive nesta segunda-feira, dia 27, às 19h
Acione o lembrete para assistir na segunda-feira, dia 27, às 19h
*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app.
Receba as notícias do Blog do Esmael
Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




