A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado convocou nesta terça-feira (26) o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, para explicar, em 2 de junho, as operações da instituição pública com o Banco Master, no momento em que o caso deixa de circular apenas em áudios, filmes e bastidores da direita para ganhar corredor oficial no Congresso Nacional.
A decisão amplia a pressão institucional sobre o Banco Master porque leva o BRB, banco controlado pelo Governo do Distrito Federal, sob comando de Celina Leão (PP), ao centro de uma audiência pública no Senado. O impacto concreto recai sobre correntistas, servidores, contribuintes do Distrito Federal e sobre a pergunta que atravessa a crise: até onde um banco público pode entrar em operação de risco com um banco privado investigado.
O requerimento é da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). No registro legislativo, o REQ 47/2026-CAE pedia que Nelson Antônio de Souza fosse convidado a prestar esclarecimentos sobre operações entre BRB e Banco Master, seus desdobramentos e impactos no âmbito do grupo de trabalho da CAE. A comissão aprovou o requerimento em abril.
Nesta terça-feira (26), o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), transformou o convite em convocação. A diferença não é detalhe jurídico: como convocado, o dirigente precisa comparecer, salvo justificativa legal. A ausência sem justificativa pode configurar crime de responsabilidade, de acordo com a cobertura do próprio Senado feita pelo veículo.
O Senado quer explicações sobre transações da instituição financeira com o Banco Master, mas o alcance político da audiência é maior. O caso passa a envolver governança, transparência, balanços, controle de risco e eventual impacto patrimonial sobre um banco público.
Renan Calheiros afirmou que o BRB não publica balanços financeiros oficiais desde janeiro de 2026 e que essa ausência vinha sendo usada como justificativa para adiar o depoimento. A CAE também aprovou compartilhamento de informações com a Polícia Federal (PF) e com o Supremo Tribunal Federal (STF), além de planejar ouvir o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o banqueiro Daniel Vorcaro nas próximas semanas.
Esse é o ponto que muda a temperatura política. O Master já não cabe no áudio atribuído a Flávio Bolsonaro nem na polêmica do filme “Dark Horse”. Agora, o caso alcança o Senado, o BRB e a fiscalização parlamentar sobre banco público.
A conexão com Flávio Bolsonaro é política, não processual neste ponto. A convocação do presidente do BRB não significa que o senador seja investigado nessa frente. O que muda é o ambiente em torno da pré-candidatura do filho zero um de Jair Bolsonaro, que tenta atravessar a crise do Master enquanto a direita procura reorganizar seu palanque para 2026.
No Paraná, a conta política chega a Curitiba. O Blog do Esmael já mostrou que Flávio Bolsonaro tem ato marcado na capital paranaense na sexta-feira (29), ao lado de nomes da direita local, em uma agenda que deixou de ser apenas demonstração de força e passou a carregar o peso do caso Master.
A nova frente no Senado dificulta a tentativa de tratar o caso como ataque retórico da esquerda. Quando uma comissão permanente chama o presidente de um banco público para explicar operações com o Master, a disputa sai da espuma das redes e entra na pauta formal de fiscalização do Congresso.
Também não se trata de um problema restrito ao Distrito Federal. Bancos públicos administram confiança, crédito, folha de pagamento, investimentos e patrimônio que dependem de controle rigoroso. Quando uma operação com banco privado vira objeto de audiência, a pergunta pública passa a ser simples: quem autorizou, quem avaliou o risco, quem fiscalizou e quem pode pagar a conta.
A direita paranaense entra nesse roteiro porque tenta sustentar Flávio Bolsonaro como nome nacional competitivo em 2026. Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) dependem de um campo conservador mobilizado, mas o Master virou um assunto que corrói justamente a bandeira moral usada por esse bloco desde a Lava Jato.
A audiência de 2 de junho não condena ninguém. Ela abre uma etapa de cobrança pública. Nelson Antônio de Souza terá de explicar ao Senado o que o BRB fez, quais riscos assumiu, quais controles adotou e que impacto as operações com o Master podem produzir sobre a instituição.
O dado político é que o caso ganhou endereço, data e cadeira no Congresso. Para Flávio Bolsonaro, a crise deixa de ser apenas uma disputa de narrativa. Para a direita em Curitiba, o palanque de sexta-feira (29) terá um problema novo no retrovisor: o Master voltou ao corredor oficial.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




