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Peronismo derrota Milei nas legislativas de Buenos Aires

O peronismo derrotou Javier Milei nas eleições legislativas da província de Buenos Aires neste domingo (7.set.2025). A coalizão Fuerza Patria, liderada pelo governador Axel Kicillof, obteve 46,97% dos votos contra 33,85% da aliança La Libertad Avanza-PRO, num resultado que expôs o desgaste precoce do presidente argentino.

A diferença de mais de 13 pontos porcentuais foi celebrada como um marco para a oposição. O ministro de Governo bonaerense, Carlos Bianco, informou que a Frente peronista venceu em 6 das 8 seções eleitorais e em 99 dos 135 municípios. A participação foi de 62,6%, abaixo da média histórica de 75% no distrito.

A província de Buenos Aires concentra 14,3 milhões de eleitores, quase 37% do total nacional. O revés tem peso simbólico e prático: abre caminho para um freio à agenda de desmonte do Estado promovida por Milei desde dezembro de 2023, que incluiu cortes em programas sociais, tarifas triplicadas e queda da renda média em cerca de um terço.

O resultado também projeta Axel Kicillof como figura central da oposição, potencial candidato presidencial em 2027. O contexto político foi agravado pelo escândalo que envolve Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, acusada de corrupção em contratos da Agência Nacional de Deficiência.

O analista Javier Romero avaliou o desfecho como “um cachetazo duríssimo” contra Milei, lembrando que o presidente “não melhorou a vida dos argentinos” e apostou em cortes brutais. O termômetro dos mercados reforça a tensão: o risco-país, medido pelo JP Morgan, superou 900 pontos antes da votação e pode pressionar ainda mais o dólar, com reflexos imediatos na economia e na governabilidade.

Pela primeira vez em 42 anos de democracia, a província realizou eleições legislativas independentes do calendário nacional. Foram escolhidos 23 senadores e 46 deputados provinciais, além de suplentes, vereadores e conselheiros escolares. O peronismo sai fortalecido, e Milei, fragilizado, terá menos margem para impor sua pauta de choque.

No balanço político, a vitória em Buenos Aires funciona como prenúncio das legislativas nacionais de 26 de outubro. Se confirmada a tendência, o presidente terá de negociar sob forte pressão parlamentar e social. A democracia argentina demonstrou mais uma vez que os extremos têm limite, e a rua falou mais alto que os “mercados”.

O recado das urnas em Buenos Aires vai além do peronismo. É um basta à radicalização e ao neoliberalismo selvagem que empobrece milhões. O futuro da Argentina está em disputa, e o governo Milei já começa a experimentar seu ocaso.

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