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Requião e Sandro duelam pelo 2º turno, enquanto Moro espera adversário

A nova pesquisa Neokemp divulgada nesta quarta-feira, 12 de agosto, muda o desenho da corrida ao Palácio Iguaçu: Sergio Moro (PL) aparece com 45,7% das intenções de voto, enquanto Requião Filho (PDT) marca 23,2% e Sandro Alex (PSD) chega a 18,2%. A diferença entre os dois adversários pela segunda vaga é de cinco pontos, mas a margem de erro de 3,1 pontos transforma a disputa em um duelo estatisticamente aberto.

O levantamento ouviu 1.008 eleitores nos dias 10 e 11 de agosto, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-03242/2026.

O número que mais chama atenção não está na liderança de Moro. Está nos 18,2% de Sandro Alex.

O candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD) aparece apenas cinco pontos atrás de Requião Filho. Considerada a margem de erro, o intervalo de Requião vai de 20,1% a 26,3%, enquanto o de Sandro vai de 15,1% a 21,3%.

Há, portanto, uma faixa de sobreposição entre os dois.

Em outras palavras: a pesquisa coloca Requião numericamente em segundo, mas não permite tratar a segunda vaga como uma posição consolidada. Eles já travam um dramático duelo, enquanto Moro espera o adversário.

Os números da pesquisa

  • Sergio Moro (PL): 45,7%
  • Requião Filho (PDT): 23,2%
  • Sandro Alex (PSD): 18,2%
  • Luiz França (Missão): 2,0%
  • Tayná Miessa (UP): 1,2%
  • Adriano Teixeira (PCO): 0,5%
  • Samuel de Mattos (PSTU): 0,2%
  • Alexandre Salomão (Mobiliza): 0,1%
  • Branco/Nulo: 4,2%
  • Não sabe: 4,8%

A eleição dentro da eleição

Moro abriu 22,5 pontos sobre Requião Filho e 27,5 pontos sobre Sandro Alex. O senador também está 22,5 pontos à frente da soma dos dois adversários que disputam a segunda posição.

Esse é o retrato mais contundente do levantamento.

Mas há outra leitura possível para os números: a eleição do Paraná começa a ganhar uma segunda disputa dentro da própria disputa pelo governo.

De um lado, Requião Filho tem vantagem eleitoral imediata.

Do outro, Sandro Alex aparece com uma rejeição muito menor.

A pesquisa aponta rejeição de 42,6% para Requião Filho, 32,8% para Moro e apenas 6,4% para Sandro Alex.

A diferença é de 36,2 pontos entre Requião e Sandro.

Isso significa que a vantagem atual de Requião precisa ser lida junto com seu nível de rejeição. Sandro, por sua vez, aparece com um eleitorado menor, mas também com uma rejeição muito mais baixa.

Não é possível transformar rejeição baixa automaticamente em voto futuro. Mas o dado ajuda a explicar por que a segunda colocação ainda pode mudar durante a campanha.

Requião tem a cadeira, Sandro tem o espaço

A fotografia da Neokemp entrega uma situação politicamente incômoda para os dois lados.

Requião Filho tem o que Sandro Alex busca: 23,2% das intenções de voto e a segunda posição numérica.

Sandro tem o que Requião não tem: uma rejeição de apenas 6,4%.

A pergunta eleitoral passa a ser quem consegue converter melhor seu ativo.

Para Requião, o desafio é transformar os 23,2% em uma candidatura capaz de chegar ao segundo turno sem ampliar ainda mais sua rejeição.

Para Sandro, o desafio é converter a baixa rejeição em voto efetivo e superar uma diferença que, na fotografia atual, é de cinco pontos.

A pesquisa não responde quem conseguirá fazer isso.

Mas mostra que a distância entre os dois não é grande o suficiente para encerrar a disputa.

O efeito das convenções

O levantamento foi realizado nos dias 10 e 11 de agosto, depois das convenções partidárias que definiram o desenho das principais candidaturas.

Isso torna a fotografia particularmente relevante porque ela capta um momento posterior à definição das chapas.

A pesquisa anterior da própria Neokemp, divulgada em julho, ainda apresentava Sandro Alex bem distante dos dois primeiros colocados. Naquele levantamento, em um dos cenários, Moro tinha 38,9%, Requião Filho 27,6%, Luiz França 8,3%, Rafael Greca 6,6% e Sandro 5,3%.

A comparação direta entre levantamentos exige cautela porque os cenários e as listas de candidatos podem ser diferentes. Ainda assim, o novo levantamento sinaliza uma mudança importante no patamar de Sandro dentro da corrida.

Moro lidera, mas não leva no primeiro turno

Os 45,7% colocam Moro em posição confortável na fotografia eleitoral, mas não representam maioria absoluta.

O senador permanece abaixo dos 50% das intenções de voto.

Isso mantém aberta a possibilidade de segundo turno.

O dado também ajuda a separar duas perguntas que podem parecer iguais, mas não são.

A primeira é: quem lidera a eleição?

A resposta da pesquisa é Sergio Moro.

A segunda é: quem enfrentará Moro?

Essa resposta continua em disputa entre Requião Filho e Sandro Alex.

A rejeição pode virar o centro da campanha

É justamente nesse ponto que a pesquisa pode produzir efeitos políticos para além da manchete dos 45,7%.

Requião Filho aparece com 42,6% de rejeição. Isso significa que quase quatro em cada dez entrevistados dizem não votar nele de jeito nenhum, conforme o indicador apresentado pelo levantamento.

Moro tem rejeição de 32,8%.

Sandro aparece com apenas 6,4%.

O contraste cria três situações diferentes.

Moro tem liderança eleitoral e uma rejeição relevante.

Requião tem a segunda colocação, mas também a maior rejeição entre os três.

Sandro tem a menor intenção de voto dos três, porém uma rejeição muito inferior.

É esse cruzamento que pode alimentar a próxima etapa da campanha.

O que está em jogo para Ratinho Junior

Para o grupo de Ratinho Junior, o número de Sandro Alex é simultaneamente um problema e uma oportunidade.

Problema porque o candidato apoiado pelo governador ainda está atrás de Requião Filho.

Oportunidade porque a distância nominal é de cinco pontos e a rejeição de Sandro é muito baixa.

O governador terá, portanto, uma disputa de transferência de capital político: transformar a estrutura administrativa e eleitoral do grupo em votos para seu candidato.

Não há, porém, como concluir pela pesquisa que esse movimento já ocorreu.

O que existe é uma fotografia: Sandro chegou a 18,2% e entrou na zona de disputa direta pelo segundo turno.

E Requião?

Para Requião Filho, a pesquisa traz uma vantagem concreta e um alerta igualmente concreto.

A vantagem é estar cinco pontos à frente de Sandro.

O alerta é ter 42,6% de rejeição.

Uma campanha de segundo turno exige não apenas entrar entre os dois primeiros. Exige capacidade de ampliar o eleitorado depois da primeira votação.

Por isso, o dado da rejeição pode ganhar importância crescente à medida que a campanha avance.

A pergunta que a pesquisa deixa

A Neokemp não entrega uma resposta definitiva sobre quem ficará com a segunda vaga.

Entrega algo mais interessante: uma corrida que pode ser decidida na margem.

Requião Filho tem 23,2%.

Sandro Alex tem 18,2%.

A diferença é de cinco pontos.

Com margem de erro de 3,1 pontos, os intervalos dos dois candidatos se encontram.

A disputa, portanto, está aberta dentro da própria pesquisa.

Moro aparece em outro patamar, com 45,7%, mas ainda sem ultrapassar a barreira dos 50%.

A eleição para o Palácio Iguaçu passa a ter duas perguntas distintas: se Moro confirma a liderança e quem conseguirá chegar ao segundo turno.

A primeira resposta está mais clara.

A segunda acaba de ficar muito mais difícil.

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