TCE-PR investiga Sandro Alex após pouso de helicóptero
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) investiga o deputado federal Sandro Alex, candidato ao governo paranaense pelo PSD, por suspeita de uso irregular de helicóptero público em atividades eleitorais no domingo, 2 de agosto.
A apuração, aberta pelo conselheiro-relator Maurício Requião de Mello e Silva após a aeronave realizar um pouso forçado entre Rio Negro e Quitandinha, região metropolitana de Curitiba, tem potencial para desestabilizar a campanha governista na disputa por uma vaga no segundo turno contra o senador Sergio Moro (PL).
A denúncia foi apresentada na segunda-feira, 3 de agosto, pelo advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande, que integra a executiva estadual da Democracia Cristã (DC) ao lado de Fábio Aguayo, braço direito do senador Sergio Moro em Curitiba.
No despacho assinado na quarta-feira, 5 de agosto, o relator determinou a citação de Sandro Alex e da Casa Militar do governo de Ratinho Junior (PSD), estabelecendo prazo de 15 dias para que apresentem o plano de voo, o diário de bordo e os comprovantes de pagamento da operação.
Segundo a denúncia, vídeos publicados pelo próprio candidato no Instagram confirmam que ele utilizava a aeronave para cumprir agendas de campanha nos municípios do interior.
O revés jurídico ocorre em um momento crítico da sucessão estadual.
Na mais recente pesquisa eleitoral do instituto Neokemp registrada sob o número PR-03242/2026 e divulgada nesta quarta-feira, 12 de agosto, Sergio Moro lidera o cenário estimulado de primeiro turno com 45,7% das intenções de voto. Enquanto Moro consolida sua dianteira, Sandro Alex aparece com 18,2%, travando um empate técnico na margem de erro de 3,1 pontos percentuais com o deputado estadual Requião Filho (PDT), que registra 23,2% da preferência do eleitorado paranaense.
A tensão eleitoral subiu de tom no debate televisivo realizado pela Band Paraná na noite de domingo, 9 de agosto. Moro correu do encontro poucas horas antes do início, acusando os concorrentes de articularem um “jogo combinado” de ataques.
Sem o líder das pesquisas no estúdio, Requião Filho chamou o senador de “fujão”, enquanto Sandro Alex evitou críticas diretas à ausência para tentar polarizar a discussão ideológica, rotulando o pedetista como o candidato da esquerda e do governo federal.
Em resposta, Requião Filho centrou fogo no custo de vida paranaense e atacou a privatização de empresas estatais como a Copel na gestão Ratinho Junior.
Por trás das estratégias de palanque, o xadrez para o segundo turno revela interesses cruzados.
Politicamente, Requião Filho prefere enfrentar Sergio Moro, apostando no forte antipatismo e na rejeição de 32,8% do ex-juiz da Lava Jato para aglutinar a esquerda e o eleitorado progressista no estado.
Moro, por sua vez, também vê Requião Filho como o adversário ideal na rodada final, acreditando que a alta rejeição do pedetista, que atinge 42,6% na pesquisa Neokemp, sua vinculação ao lulismo, facilitará a consolidação do eleitorado conservador do Paraná.
Sandro Alex, que registra a menor rejeição entre os principais concorrentes, com apenas 6,4%, tenta furar esse bloqueio para se apresentar como o candidato natural da centro-direita governista.
Esse desenho político de conveniência mútua entre o ex-juiz e o herdeiro político de Roberto Requião esbarra, contudo, na indefinição de metade do eleitorado paranaense que ainda não cristalizou seu voto.
Com Sandro Alex colado no grupo governista e buscando reverter o desgaste do voo sob investigação no TCE-PR, qualquer tentativa de definir o segundo turno antes da hora ignora a necessidade de combinar o jogo com os verdadeiros donos da decisão: os eleitores do Paraná.
Campanha de Sandro Alex se manifesta sobre o avião de rosca, por meio de nota
“O candidato jamais utilizou aeronave do Estado para fins de pré-campanha. O voo mencionado foi contratado e custeado pelo Diretório Estadual do PSD diretamente junto à Helisul Táxi Aéreo, empresa privada e regularmente certificada pela ANAC.
A própria Helisul esclareceu que o voo decorreu exclusivamente de contratação comercial privada, sem qualquer vínculo jurídico, operacional ou financeiro com o Poder Público estadual. Portanto, não houve utilização de aeronave pública ou de recursos do Estado no referido deslocamento.
O candidato apresentará sua defesa de forma firme e fundamentada, com toda a documentação necessária para demonstrar a regularidade dos fatos e afastar as fake news tão comuns em época de eleição.”
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




