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O deputado Renato Freitas (PT) voltou ao plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e transformou o retorno em um ato de enfrentamento, numa sessão marcada por ataques diretos, acusações cruzadas e uma exibição crua da crise política que corrói o Legislativo estadual.
O petista discursou após o episódio de novembro, quando se envolveu numa briga de rua no centro de Curitiba, e se tornou alvo de novos pedidos de cassação por quebra de decoro. No microfone, porém, Freitas optou por inverter o roteiro, defendendo-se e partindo para ofensiva contra nomes da direita paranaense, como Denian Couto (PODE), Ricardo Arruda (PL) e Ademar Traiano (PSD).
O relato da briga e a tese da legítima defesa
No discurso, Freitas narrou o episódio que motivou a nova onda de processos disciplinares. Disse ter sido surpreendido por um carro avançando sobre ele e sua companheira grávida ao sair de uma clínica. A partir daí, relatou a escalada do conflito com o motorista, Wesley, que, segundo ele, teria partido para a agressão, provocado e retornado diversas vezes para recomeçar a briga.
Freitas insistiu que sua reação foi instintiva, limitada e baseada em legítima defesa. Destacou que o confronto durou apenas 15 segundos, negou intenção de espancar o adversário e acusou a proprietária do estacionamento de agir de forma racista ao se recusar a entregar imagens do local.
O ataque à bancada conservadora
O ambiente no plenário incendiou quando o deputado decidiu mirar nos adversários.
Freitas citou acusações e escândalos antigos envolvendo Denian Couto, Ricardo Arruda e Ademar Traiano, repetindo trechos de processos, denúncias e episódios amplamente divulgados pela imprensa paranaense. O petista questionou por que, segundo ele, esses casos não provocam reações equivalentes aos pedidos de cassação movidos contra ele.
A fala, longa, emocional e repleta de acusações à estrutura política e policial do estado, gerou indignação imediata na bancada conservadora.
A reação de Denian e da direita na Casa
Coube a Denian Couto (que integra a oposição de direita) responder no tom mais duro. Ele acusou Freitas de mentir, afirmou que o caso citado por ele já estaria “arquivado e transitado em julgado” e anunciou que apresentará novo processo disciplinar contra o petista.
O contraponto ganhou contornos pessoais quando Denian afirmou, em plenário, que Freitas poderia estar sob efeito de entorpecentes e que “envergonha a Casa”. Denian chamou de “canalha” o colega petista.
A resposta de Ricardo Arruda veio em seguida, defendendo-se das citações feitas por Freitas e devolvendo acusações sobre supostos antecedentes do petista.
O clima obrigou o presidente Alexandre Curi (PSD) a intervir diversas vezes para tentar recompor a ordem e liberar as falas interrompidas pelo tumulto. O líder do governo, Hussein Bakri (PSD), tentou encerrar a disputa lembrando que “esse tipo de comportamento não contribui em nada para fortalecer o Legislativo”.
O que está em jogo na ALEP
Os novos pedidos de cassação contra Freitas se somam a um histórico de confrontos do deputado com a direita paranaense, além de processos de caráter disciplinar que se arrastam desde o início do mandato.
A sessão desta segunda-feira escancarou o que já se desenhava há semanas: a disputa política ultrapassou os limites formais do debate legislativo e se transformou numa guerra aberta de narrativas, com forte carga moral e simbólica.
A direita cobra a cassação, sustentando que o deputado repete padrões de comportamento que violam o decoro. Freitas, por sua vez, insiste que é alvo de perseguição política, racial e ideológica.
A temperatura tende a subir nos próximos dias, quando a Mesa Diretora deve formalizar o trâmite dos processos.
A disputa que impacta o futuro da Casa
A crise expõe um Legislativo dividido entre projeto político, disputas identitárias e uso seletivo do decoro. Ao devolver as acusações, Freitas desloca o custo político para os adversários, enquanto a direita tenta consolidar a narrativa de reincidência. O desfecho dos processos terá impacto direto na correlação de forças da ALEP em 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




