O governador Ratinho Júnior (PSD) acionou nesta segunda-feira (6) o funil político que vai definir o nome de seu grupo para a sucessão ao Palácio Iguaçu.
O movimento, ainda que discreto, teve endereço certo.
No evento de reabertura do Hospital e Maternidade Municipal de Rio Branco do Sul, Ratinho sinalizou que o escolhido para seguir seu projeto é o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD).
A prefeita Karyme Fayad (PSB) organizou a cerimônia, marcada pela presença de prefeitos e líderes regionais.
Curi chegou ao ato no helicóptero do próprio governador, sob a testemunha da deputada Márcia Huçulak (PSD).
O gesto foi visto, nos bastidores do Centro Cívico e do Palácio Iguaçu, como um recado político inequívoco: o governador aposta na força e na lealdade do presidente da ALEP.
Interlocutores próximos relatam que Ratinho vem ampliando as agendas conjuntas com Curi, enquanto reduz compromissos com outros nomes que alimentavam o sonho de sucedê-lo, casos de Guto Silva (secretário das Cidades) e Rafael Greca (secretário do Desenvolvimento Sustentável).
O governador, pragmático, prefere testar em campo o desempenho e a receptividade do aliado antes de oficializar qualquer escolha.
Curi, por sua vez, reforça o favoritismo.
Sob sua presidência, a Assembleia Legislativa bateu recorde de produtividade no primeiro semestre, e o deputado intensificou viagens ao interior, ampliando vínculos com prefeitos e líderes locais.
O volume de eventos e o discurso de continuidade administrativa impressionaram Ratinho Júnior, que vê no parlamentar perfil de gestor moderado e agregador, traço que falta a outros aspirantes.
As sessões itinerantes da Assembleia Legislativa e o programa Assembleia nos Bairros, em Curitiba, chamaram a atenção do governador, segundo um assessor próximo.
Enquanto o governo calibra a sucessão, Sergio Moro (União) é visto como adversário vulnerável.
Apesar de aparecer na frente em pesquisas preliminares, o ex-juiz enfrenta isolamento político e risco de inelegibilidade caso seja condenado por calúnia no STF, o que pode levar à cassação de seu mandato no Senado.
Nesse vácuo, Cristina Graeml, recém-filiada ao União, surge como plano B do Centrão, mas enfrenta resistência dentro da própria sigla.
O cenário favorece a formação de uma frente ampla governista, com Curi no centro, apoiado por PSD, PSB e setores do MDB.
A chamada “República de Jandaia do Sul”, liderada por João Ortega, chefe da Casa Civil, vetou outros nomes e articula o desenho de uma chapa com Curi para governador, Greca vice e Guto Silva ao Senado, a menos que o próprio Ratinho dispute uma cadeira na Câmara Alta.
Com o gesto em Rio Branco do Sul, o governador acionou o funil e apertou o passo da sucessão, testando o terreno com aliados e sinalizando que a fila andou.
Entretanto, a expectativa é que o governador bata o martelo entre abril e junho de 2026, período que coincide com o calendário de desincompatibilizações, janelas partidárias e convenções eleitorais.
Mesmo sem anunciar oficialmente, a preferência de Ratinho por Curi ficou evidente no evento desta semana.
Ratinho Júnior evita o estardalhaço, mas joga com sutileza.
O gesto de levar Curi no helicóptero oficial foi mais eloquente que qualquer discurso.
O governador não declarou, mas indicou, com clareza cirúrgica, quem deve representar o projeto do PSD em 2026.
A disputa pelo Palácio Iguaçu ganhou contorno e nome.
O funil de Ratinho já aponta para Alexandre Curi.
“Quem viver, verá”, prenunciou um dos sócios da República de Jandaia do Sul, em tom de ironia e convicção.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



