O governador Ratinho Junior (PSD) indicou, segundo apuração do Blog do Esmael em Brasília, o publicitário Jorge Gerez para a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Se a costura se confirmar, ela mexe em duas frentes ao mesmo tempo: aproxima Ratinho da cúpula bolsonarista e embaralha ainda mais a sucessão no Paraná.
O ruído é alto porque Flávio Bolsonaro selou com o senador Sergio Moro um acordo político para a disputa do governo do Paraná, e a filiação formal do ex-juiz ao PL foi consumada há uma semana. Mesmo assim, Ratinho seguiria tricotando com o partido, agora por meio do homem que cuidou da construção de sua imagem e da estratégia que tentava projetá-lo nacionalmente, interrompida em 23 de março com a desistência da corrida presidencial.
Gerez não é personagem lateral nesse enredo. O publicitário argentino coordena as campanhas de Ratinho desde 2018, assinou a estratégia do “Modelo Paraná”, liderou a ofensiva digital que tentava vender o governador como opção nacional e apareceu por trás de peças que misturaram vídeos virais, cultura pop e inteligência artificial.
Gerez é ligado à Lua Propaganda, agência associada a campanhas e contratos de publicidade no entorno do governo do Paraná. A proximidade dele com o núcleo do poder paranaense tampouco é novidade: em 2019, o marqueteiro já aparecia com frequência no Palácio Iguaçu.
Por isso, a eventual ida de Gerez para Flávio Bolsonaro não soaria como contratação técnica qualquer. Soaria como gesto político. Ratinho abandonou a disputa pelo Planalto, mas preserva pontes com o bolsonarismo e tenta manter influência na montagem do campo da direita para 2026.
Do lado de Flávio Bolsonaro, a busca por musculatura também faz sentido. O senador disse que será candidato à Presidência mesmo se Jair Bolsonaro recuperar as condições eleitorais e, dias depois, na CPAC (Conferência Conservadora), pediu “pressão diplomática” dos Estados Unidos sobre a eleição brasileira. Isso ajuda a explicar a procura por uma engrenagem profissional de comunicação.
Segundo projeção no Congresso Nacional, com base em estudo divulgado após a sanção do Orçamento de 2026, o PL deve operar neste ano com cerca de R$ 886,7 milhões em recursos públicos projetados para a campanha, embora a eventual federação União Progressista apareça à frente no ranking. Em português claro, Flávio pode até não ter unanimidade fora do clã, mas tem estrutura para montar campanha de verdade.
No Paraná, o recado é mais espinhoso. Se Ratinho entrega seu marqueteiro ao presidenciável do PL enquanto o mesmo PL abriu a porta para Moro no estado, o governador mantém um canal próprio com Brasília e deixa seu grupo, mais uma vez, sem resposta fechada sobre 2026. O primeiro movimento foi a desistência presidencial. O segundo pode ser este: continuar operando em mais de uma frente.
Se a operação sair da cogitação e virar anúncio, o efeito pode ir muito além do marketing. Em Curitiba e em Brasília, esse movimento casado entre Ratinho Junior e Flávio Bolsonaro seria lido como ensaio de um pacto maior na direita. A hipótese, hoje sussurrada nos bastidores, é que essa costura acabe parindo, em agosto, um apoio surpreendente de Ratinho a Sergio Moro no Paraná. A conferir.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




