Dobradinha ao Senado: Bolsonaro, Ratinho Jr. e Filipe Barros selam aliança
A política paranaense virou um tabuleiro de xadrez após a visita do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na última sexta-feira (4). Entre reuniões fechadas e fotos públicas, ficou claro quem avança e quem recua no jogo pelo Senado e pelo governo estadual de 2026.
Bolsonaro desembarcou em Curitiba com um roteiro definido: encontro reservado com o governador Ratinho Júnior (PSD) e, na sequência, viagem conjunta para a abertura da ExpoLondrina.
Entre um chimarrão e uma costela no almoço do Palácio Iguaçu, veio o anúncio bombástico nos bastidores: Filipe Barros será o nome do PL ao Senado, com apoio explícito de Bolsonaro. A outra vaga? Está prometida para Ratinho Júnior, que pretende deixar o governo com o pé no Congresso.
“O resto, deixamos para depois”, desconversou Bolsonaro, referindo-se à eleição presidencial de 2026.
OUÇA O ÁUDIO DA COLETIVA DE BOLSONARO:
“Filipe Barros está certo. A outra vaga é do Ratinho.”
O movimento é visto como o pontapé inicial da aliança entre PL e PSD, com projeções que ultrapassam os limites do Paraná. A cena política em Curitiba e no interior já se reorganiza em torno dessa nova dobradinha.
Em Londrina, Bolsonaro disse que Ratinho Júnior e Filipe Barros são os nomes da direita para o Senado em 2026. Foto: Gabriel Mendes
Bolsonaro não poupou críticas ao ex-aliado Sergio Moro (União), atual senador e possível adversário direto em 2026. Num recado cifrado (ou nem tanto), acusou o ex-juiz de traição e oportunismo.
Moro é visto pelo ex-presidente como “cota pessoal” do senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional, que, atualmente, faz o jogo do Palácio do Planalto.
Paulo Martins (PL), vice-prefeito de Curitiba e ex-candidato ao Senado, ficou visivelmente fora do radar presidencial. Sonhava com a bênção de Bolsonaro — e acordou com o tapete puxado pelo dileto amigo e governador do estado.
Cristina Graeml (Podemos), jornalista e aspirante à política, também ficou sem o tão sonhado retrato com o mito para alçá-la ao Senado. Terá que se contentar com uma vaga na Câmara.
Por outro lado, quem ganhou um lugar na mesa foi o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), que não só acompanhou Bolsonaro e Ratinho, como saiu ventilado como possível nome ao Palácio Iguaçu em 2026.
A visita lembrou os tempos de campanha de 2018, quando Bolsonaro lotava eventos pelo interior do Brasil — mas agora com outro figurino: o de articulador de bastidores. Um papel que o ex-presidente vem assumindo cada vez mais para garantir influência política sem necessariamente voltar ao Planalto.
Aliás, Bolsonaro está inelegível até 2030 e é réu no Supremo Tribunal Federal, pela tentativa de golpe de Estado, que pode levá-lo à prisão ainda neste ano.
A presença de Bolsonaro ao lado de Ratinho Júnior na manifestação pela anistia dos presos do 8 de janeiro, na Avenida Paulista, selou a reaproximação entre os dois. O gesto foi visto como a assinatura simbólica do pacto eleitoral.
Outro nome de peso no PSD paranaense, Rafael Greca (ex-prefeito de Curitiba), ficou fora da foto e da conversa — o que indica que a fila andou e ele também pode ter sido preterido do projeto de poder estadual.
Enquanto isso, os adversários afinam a estratégia. A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e da federação PSOL-Rede já enxergam que o campo da direita começa a se consolidar e devem buscar alianças para enfrentar a máquina bolsonarista-paranaense em 2026.
Bolsonaro celebra acordo para o Senado no Paraná: Filipe Barros e Ratinho Júnior em 2026.
Sobre a visita de Bolsonaro
Quem foi beneficiado pela visita de Bolsonaro ao Paraná?
Filipe Barros e Ratinho Júnior saíram com a promessa pública de apoio para a disputa ao Senado em 2026.
Sergio Moro perdeu espaço com Bolsonaro?
Sim. O ex-juiz virou alvo de críticas de Bolsonaro, indicando rompimento total entre os dois.
A visita foi parte da campanha presidencial?
Ainda não oficialmente. Bolsonaro desconversou sobre a presidência, mas a movimentação indica que ele segue como peça central nas articulações da direita.
Qual o papel de Alexandre Curi nessa história?
Curi aparece como possível candidato ao governo do Paraná com apoio de Bolsonaro e Ratinho. Ganhou protagonismo com a participação nos eventos.
O que isso muda na sucessão estadual?
A visita fortalece o bloco bolsonarista e pode consolidar o PSD-PL como aliança dominante no Paraná em 2026.
Aliança selada, chapas em movimento
A visita de Bolsonaro ao Paraná reorganizou forças, premiou aliados e queimou desafetos. Ratinho Júnior e Filipe Barros saem como os grandes vencedores, com candidaturas praticamente lançadas ao Senado.
Do outro lado, Moro, Graeml e Martins foram preteridos ao Senado — ao menos por ora. O tabuleiro está lançado, e o jogo de 2026 já começou.
Fique atento ao Blog do Esmael para acompanhar os próximos lances dessa novela política!