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A pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (22) mostra que Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 43% das intenções de voto, pode enfrentar dificuldades para se reeleger em São Paulo, mesmo com a ausência do principal opositor, Guilherme Boulos (PSOL), no levantamento.
Pesquisa sem adversário mede alguma coisa?
A pergunta inicial que fazemos é: pesquisa sem adversário mede alguma coisa?
O iceberg da reeleição
Apesar de liderar, Tarcísio não aparece com folga suficiente para garantir tranquilidade em 2026.
Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador e atual vice-presidente da República, soma 21%.
Erika Hilton (PSOL), mesmo sem estrutura comparável, já desponta com 8%.
Paulo Serra (PSDB) tem 3% e Felipe D’Ávila (Novo), 2%.
Indecisos são 7% e brancos/nulos 16%.
A ausência de Boulos e o peso do bolsonarismo
O dado mais revelador é a exclusão de Guilherme Boulos (PSOL), hoje principal player oposicionista no estado.
Se mesmo sem o nome mais forte do campo progressista Tarcísio não consegue abrir grande vantagem, o cenário indica que sua associação ao bolsonarismo tóxico pode custar caro no Palácio dos Bandeirantes.
Tábata Amaral e Márcio França, ambos do PSB, também foram excluídos da consulta da Quaest.
O ministro Fernando Haddad, igualmente, foi ignorado na pesquisa.
Aprovação não garante voto
O governo Tarcísio é aprovado por 60% dos paulistas, contra 29% que desaprovam.
Porém, só 56% dos eleitores acham que ele merece ser reeleito, enquanto 36% rejeitam essa ideia.
A curva da aprovação segue em queda suave: 62% em abril de 2024, 61% em dezembro e fevereiro, até os atuais 60%.
O que está em jogo em 2026
A leitura política é clara: Tarcísio pode até tentar usar São Paulo como trampolim para disputar a Presidência, mas se arrisca a sofrer um “perrengue” eleitoral em casa.
No pior cenário, terá de escolher entre correr o risco de perder o governo ou “cair para cima” com uma candidatura nacional fadada ao desgaste.
A Quaest revela que a estabilidade aparente de Tarcísio esconde fissuras profundas.
A oposição cresce, o bolsonarismo pesa negativamente e a sombra de Boulos torna o tabuleiro ainda mais complexo.
Se insistir na reeleição, Tarcísio pode passar vergonha; se mirar o Planalto, pode acelerar sua derrota.
Ou seja, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




