O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já mexeu na Esplanada para cumprir o calendário eleitoral que transforma este sábado (4) num corte jurídico e político da disputa de 2026: é o prazo final para registro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos estatutos de partidos e federações aptos a disputar a eleição e também o marco de parte das desincompatibilizações exigidas para outubro.
Na prática, sábado (4) fecha a porta formal do TSE para legendas e federações que ainda não regularizaram seus estatutos. A resolução do calendário eleitoral é direta: só poderão participar das Eleições 2026 os partidos e federações com registro no TSE até essa data. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
O mesmo calendário pesa sobre quem ocupa cargos públicos e quer entrar na urna. O TSE informou que, em parte dos casos, o prazo de afastamento conta a partir de 4 de abril, seis meses antes do primeiro turno; em outros, a referência cai em 4 de junho. Quem não observar a desincompatibilização pode esbarrar em inelegibilidade.
A engrenagem partidária já vinha girando desde 5 de março, quando abriu a janela para troca de partido de deputados federais, estaduais e distritais sem perda de mandato. Essa janela fechou nesta sexta-feira (3), e o sábado (4) funciona como a continuação natural do aperto: termina a fase de arrumação burocrática e começa o corpo a corpo bruto por chapa, palanque e sobrevivência eleitoral.
No governo federal, Lula antecipou o efeito desse cronograma com uma rodada ampla de substituições ministeriais. O Blog do Esmael registrou que cerca de 18 dos 37 ministros deixariam os cargos para disputar a eleição, inclusive Gleisi Hoffmann (PT), das Relações Institucionais, justamente para cumprir a exigência legal de afastamento até 4 de abril.

No Paraná, o fechamento do prazo expôs duas fotos políticas diferentes. Ao Blog do Esmael, o deputado federal Luciano Ducci disse que fica no PSB, sinal de que nem toda pressão de última hora virou deserção.
A ex-prefeita Karime Fayad, de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, que sonhava comandar o PSB, supreendeu o mundo político acompanhando o também ex-prefeito Rafael Greca no MDB. Ela pretende concorrer à Câmara, enquanto Greca ao Palácio Iguaçu.
Do outro lado, o deputado estadual Ney Leprevost acompanhou o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Alexandre Curi, na travessia para o Republicanos. A filiação de Ney foi registrada nesta sexta, ao lado de Curi, consolidando mais um movimento de rearranjo no bloco de centro-direita paranaense.
É esse o retrato que sai do sábado (4). O calendário do TSE não escolhe candidato, mas empurra o sistema para uma fase sem biombo. A partir daqui, a conversa deixa de ser hipótese e vira chapa, renúncia, federação, nominata e cálculo de quociente.
Resumo da ópera: tanto na Câmara dos Deputados quanto na ALEP e nas demais assembleias estaduais, a maior bancada parece ser a do Mounjaro. A piada corre porque a política entrou, de vez, em modo ansiedade.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




