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Paes deixa prefeitura e reorganiza palanque no Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), confirmou nesta sexta-feira (20) sua saída da prefeitura para disputar o governo do estado, com transmissão do cargo ao vice Eduardo Cavaliere (PSD), em cerimônia marcada para as 16h no Palácio da Cidade, em Botafogo. O movimento tira a sucessão fluminense do bastidor e a coloca no centro da corrida de 2026, porque mexe num estado-chave, reorganiza alianças e antecipa o desenho de um dos palanques mais pesados do país.

A saída de Paes não acontece por improviso. Ela se encaixa na janela de desincompatibilização das eleições de 2026, cujo primeiro turno está marcado para 4 de outubro. O Tribunal Superior Eleitoral informou neste mês que, em alguns casos, o afastamento deve ocorrer com seis meses de antecedência, com contagem a partir de 4 de abril. Paes resolveu largar antes do limite fatal e entrar de vez na campanha.

Ele deixa o cargo depois de uma vitória larga na capital. Em outubro de 2024, Paes foi reeleito no primeiro turno com 1.861.856 votos, o equivalente a 60,47% dos válidos, consolidando o quarto mandato à frente da prefeitura carioca. Sai, portanto, de uma posição de força política, não de defensiva.

Quem assume a prefeitura é Eduardo Cavaliere, de 31 anos, nome da cozinha política de Paes e tratado há meses como herdeiro administrativo do grupo. Com a posse, ele se torna o prefeito mais jovem da história do Rio, o que garante ao PSD continuidade no comando da capital enquanto o ex-prefeito tenta subir a rampa do Palácio Guanabara.

No plano eleitoral, a movimentação interessa ao país inteiro. Levantamentos divulgados em março colocam Paes na dianteira da corrida fluminense. Na pesquisa Gerp, ele aparece com 46% das intenções de voto no cenário estimulado. Em outro levantamento, do Real Time Big Data, lidera os cenários de primeiro turno e venceria Douglas Ruas (PL) por 51% a 19% num eventual segundo turno. O Rio, portanto, não entra em 2026 como praça lateral. Entra como vitrine nacional.

É aí que a renúncia ganha peso maior do que a troca de cadeiras no município. Paes é hoje um aliado do presidente Lula (PT), com apoio já sinalizado pelo campo petista, enquanto o PL tenta nacionalizar a disputa e vender Douglas Ruas como nome do bolsonarismo contra o prefeito carioca. Em resumo, o que começou como ato administrativo de transmissão de cargo vira, na prática, uma largada oficial para um confronto que tende a misturar Rio, Planalto e 2026 no mesmo enredo.

Ao deixar o Palácio da Cidade agora, Paes encurta o caminho entre a prefeitura e a campanha e obriga aliados e adversários a saírem do conforto. O Rio passa a funcionar, desde já, como laboratório de alianças, teste de força entre lulismo e direita e termômetro dos grandes palanques estaduais. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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