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Flávio transforma futuro do STF em promessa de campanha

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira, 7 de setembro, durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo, que pretende indicar cinco ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito, ao prever a saída do ministro Alexandre de Moraes da Corte. A declaração fez parte de uma ofensiva do senador contra Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dois dos principais alvos dos discursos no palanque, montado sob o mote “Fora Lula, Fora Moraes”.

“Eu vou indicar cinco ministros porque Alexandre de Moraes vai cair”, declarou Flávio Bolsonaro. A Constituição, porém, não dá ao presidente da República poder para destituir um ministro do STF: cabe ao Senado Federal processar e julgar integrantes da Corte por crime de responsabilidade, e qualquer nova indicação depende de vaga aberta, sabatina e aprovação do próprio Senado.

Durante o discurso, o candidato chamou Moraes de “laranja podre” e classificou o gabinete do ministro como “gabinete da perseguição”. Flávio associou diretamente um eventual voto em Lula a um apoio à atuação de Moraes no STF, buscando transformar o ministro em símbolo da disputa eleitoral. Ele também disse que pretende indicar à Corte nomes contrários ao aborto, às drogas e à chamada “ideologia de gênero” nas escolas.

A fala ocorre em meio a uma tensão inédita dentro do próprio Supremo. Na sexta-feira, 4 de setembro, o presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, sinalizou ao presidente Lula, em encontro no Palácio do Planalto, que levará ao plenário da Corte os casos dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, relacionados às mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e autoridades do país. Um dos casos só deve ser decidido a partir de 14 de setembro; o outro, a partir de 22 de setembro, depois, portanto, do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

O discurso também chega em momento de aproximação nas pesquisas presidenciais. De acordo com a Quaest, divulgada nesta segunda-feira, Lula e Flavio estão empatados em 41% cada um em um eventual segundo turno.

Moro liga Curitiba à Paulista em agenda do PL

No Paraná, o ato teve efeito direto sobre a disputa estadual. O candidato ao Governo do Paraná Sergio Moro (PL-PR) marcou o 7 de Setembro com uma agenda dedicada às celebrações da Independência: pela manhã, acompanhou o desfile cívico e militar em Curitiba; à tarde, participou do ato na Avenida Paulista. “Neste 7 de Setembro, o nosso grito é por liberdade”, afirmou Moro, que também disse que o país vai “derrotar Lula” para “começar a mudar o país”. Na agenda em São Paulo, Moro esteve acompanhado dos candidatos ao Senado Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), ambos concorrendo pelo Paraná.

A presença de Moro ao lado de Flávio Bolsonaro consolida uma aliança que nem sempre existiu: o ex-juiz da Lava Jato rompeu publicamente com o bolsonarismo em 2020, ao deixar o Ministério da Justiça do governo Jair Bolsonaro, e só voltou a se aproximar da família depois de se filiar ao PL, em 2026, para disputar o governo paranaense. Para Moro, a proximidade com Flávio ajuda a nacionalizar a campanha estadual; para o presidenciável, o Paraná oferece um palanque competitivo em um estado onde o senador aparece à frente nos levantamentos mais recentes para o Palácio Iguaçu.

Impeachment de ministros pressiona o Senado

A ofensiva contra Moraes também mira o Senado Federal. Setores da oposição ampliam a pressão para que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), paute os pedidos de impeachment já apresentados contra ministros do STF, hoje sem data de análise. O caso das mensagens de Vorcaro passou a integrar esse discurso, embora nenhuma investigação formal tenha sido aberta contra Moraes até o momento, pedido de apuração não equivale a decisão de afastamento, distinção que a Constituição reserva ao rito de impeachment conduzido pelo próprio Senado. Tarcísio de Freitas (Republicanos), que discursou no mesmo ato, resumiu o argumento da oposição ao dizer que “ninguém está acima da Constituição”, numa fala que incluiu magistrados, ministros e governadores.

A promessa de Flávio Bolsonaro é, portanto, uma leitura de campanha sobre um processo que ainda depende de decisões formais do próprio Supremo e do Senado. O calendário interno da Corte, concentrado nas duas primeiras semanas depois do primeiro turno, deve manter o embate em torno de Moraes como um dos eixos centrais da corrida presidencial até outubro.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições de 2026 e da crise institucional no STF.

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