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Enquanto Ratinho vai à Disney, oposição samba nas privatizações

Enquanto o governador Ratinho Júnior (PSD) passa temporada na Disney, nos Estados Unidos, a oposição ocupou o plenário da Assembleia Legislativa do Paraná, nas vésperas do Carnaval, e intensificou a ofensiva contra as privatizações e o aumento do custo de vida no estado. O foco é a venda da Celepar por R$ 1,3 bilhão, classificada como “liquidação” por parlamentares.

O líder da Oposição na ALEP, deputado estadual Arilson Chiorato (PT), afirma que o valor proposto não reflete o patrimônio público. Segundo ele, a empresa de tecnologia possui ao menos R$ 2,2 bilhões em contratos já assinados e publicados.

Para Arilson, não se trata apenas de preço. A crítica central é a transferência ao setor privado de dados sensíveis de 11,8 milhões de paranaenses, como informações de saúde, educação, segurança pública e programas sociais. “Dado não é mercadoria. A Celepar é do povo”, declarou.

O caso reacende o debate sobre o papel estratégico da estatal, responsável por sistemas que sustentam a máquina pública. A oposição sustenta que a venda pode gerar custos futuros, caso o Estado precise reconstruir estruturas e plataformas.

Pressão no plenário

O deputado estadual Renato Freitas (PT) teve arquivado pelo Ministério Público do Paraná procedimento que o acusava de invasão ao Supermercado Muffato durante protesto por justiça após o assassinato de Rodrigo Boschen. O MP reconheceu que a manifestação ocorreu em espaço aberto ao público, sem violência ou danos.

Mesmo assim, Renato responde a processo no Conselho de Ética da ALEP. Em audiência, afirmou ser alvo de perseguição política e racial. Todas as testemunhas confirmaram que não houve invasão nem agressões.

Já a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) protocolou pedido de informações à Secretaria de Estado da Segurança Pública sobre denúncias de assédio em escolas cívico-militares. Ela cobra dados sobre investigações, afastamentos e medidas de proteção a vítimas, após relatos envolvendo alunas de 11 a 13 anos.

Água, hospital e custo de vida

A deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) pressiona a Sanepar por denúncias de água turva e falta de abastecimento em cidades como Ponta Grossa, Londrina e Marmeleiro. Segundo a parlamentar, o serviço essencial precisa de explicações técnicas e providências imediatas.

O deputado estadual Requião Filho (PDT) acionou Ministério Público do Paraná, Polícia Federal e Conselho Regional de Medicina para apurar denúncias no Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá. As queixas envolvem falhas sanitárias e possível atuação irregular de profissionais.

No campo econômico, Requião Filho também criticou a política tributária estadual após levantamento apontar o Paraná como o segundo maior custo de vida do país, com gasto médio mensal de R$ 4.300. Ele relaciona o cenário ao ICMS e aos efeitos da privatização da Copel na conta de luz.

Privatiza e encarece

A narrativa construída pela oposição é clara: privatizações, aumento de tarifas e fragilização de serviços públicos caminham juntas. O contraponto ocorre enquanto o governador se ausenta do país, em momento decisivo para seu futuro eleitoral.

Em política, narrativas pesam. A viagem internacional coincide com críticas sobre a venda de ativos estratégicos e com a escalada de denúncias no estado. A base governista defende eficiência e modernização. A oposição fala em liquidação e risco social.

O embate está posto. E a disputa de 2026 já começa a repercutir na sociedade em pleno Carnaval.

No ritmo da política paranaense

Se a Disney virou metáfora, o plenário virou palco. A oposição intensifica o discurso contra privatizações e samba em cima do custo de vida, enquanto o governador descansa nos EUA. O eleitor, no fim, é quem decide se o enredo termina em desfile vitorioso ou em apuração amarga.

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