O Prêmio Nobel da Paz 2025, concedido à venezuelana Maria Corina Machado, expõe mais uma vez o viés político do comitê norueguês.
A escolha revela-se como um gesto de fetiche geopolítico contra o presidente Nicolás Maduro, líder da nação que detém as maiores reservas de petróleo do planeta.
Em vez de premiar quem de fato ajudou a encerrar uma guerra, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsável pelo acordo de paz entre Israel e o Hamas, o Nobel preferiu consagrar o símbolo de uma oposição que flerta com a ruptura institucional.
O comunicado do Comitê fala em “trabalho incansável pela democracia” e em “votos no lugar de balas”.
Soa bem em discurso, mas ignora o contexto: Corina é a expressão mais refinada da elite venezuelana que tenta, há décadas, derrubar o chavismo por vias não tão pacíficas.
Grosso modo, seria como se Jair Bolsonaro, após o 8 de Janeiro, recebesse o Nobel da Paz por ter “defendido o voto impresso”.
Na prática, o prêmio parece como uma espécie de selo de aprovação internacional para a agenda de Washington em Caracas.
O Nobel, que já teve momentos luminosos, também acumula escolhas exóticas, como a da birmanesa Aung San Suu Kyi, laureada em 1991 e condenada anos depois por incitar dissidência e perseguir a minoria rohingya.
A história, mais uma vez, parece se repetir com outro rosto, mas com o mesmo verniz moralista.
Enquanto isso, Donald Trump, a despeito das bravatas e do estilo performático, atuou como mediador real de um acordo que encerrou a guerra em Gaza, está prestes a libertar reféns e impôs diálogo entre inimigos históricos.
Se o Nobel da Paz tivesse memória e coerência, esse feito bastaria para colocá-lo entre os laureados.
O gesto de Trump aproximou povos e evitou novas mortes, o que, convenhamos, é o que se espera de um prêmio que carrega o nome da paz.
O Prêmio Nobel faria mais sentido para Trump.
A honraria a Corina Machado, portanto, revela menos sobre a paz e mais sobre o uso político do prêmio.
No tabuleiro da geopolítica, o Nobel virou peça de propaganda para as potências que decidem quem são os “bons” e os “maus” da história.
O Nobel da Paz para Maria Corina Machado parece mais um prenúncio de guerra, uma provocação direta aos países latino-americanos que não se alinham aos interesses estratégicos dos Estados Unidos e da Europa.
Esse prêmio, com cara de golpe antecipado, afronta tanto Donald Trump quanto Nicolás Maduro.
A paz, por ora, segue sem prêmio.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




