Greca está sendo sondado para ser vice na chapa de Roberto Requião (PT) ao governo do Paraná ou, se preferir, candidato ao Senado pela frente progressista.

Multa do prefeito de Curitiba a quem distribuir comida aos pobres incendeia as redes sociais

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  • Greca ao cancelar a distribuição de alimentos aos pobres teria dito: “Que comam brioches!”

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), marcou um golaço contra nesta semana ao propor à Câmara uma multa para quem distribuir comida aos pobres.

Entidades ligadas à igreja católica e ao MTS (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), durante da pandemia, vêm distribuindo quentinhas no centro da cidade para as populações vulneráveis.

A proposta de Greca consiste na aplicação de multa entre R$ 150 e R$ 250 para quem “distribuir alimentos em desacordo com os horários, datas e locais autorizados pelo Município de Curitiba” para a população em situação de rua.

O Ministério Público e a repercussão negativa fizeram o projeto ficar congelado, por ora.

O deputado estadual Goura Nataraj (PDT) disse que não faz sentido restringir e dificultar a distribuição de alimentos, burocratizando e inviabilizando doações de alimentos. “Assinamos a carta de diversos movimentos contra a medida e estamos em contato direto com vereadores para evitar este retrocesso.”

O pedetista declarou que em meio à pandemia e sem o auxílio emergencial, cresce a fome no Brasil. “Em vez de apoiar as instituições que têm atendido grande parte das pessoas em situação de rua, Rafael Greca encaminhou à Câmara de Curitiba um projeto de lei em regime de urgência pra proibir e multar estas organizações”, criticou.

“CANALHA! Rafael Greca, prefeito de Curitiba, enviou projeto de lei para multar em até R$550 quem distribuir comida à população em situação de rua. Dá pra pensar algo mais desumano?”, disparou Guilherme Boulos (PSOL), líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Em 2016, durante a eleição à Prefeitura de Curitiba, um ato falho de Greca lhe tirou da vitória no primeiro turno ao dizer que vomitou com o mal cheiro de um pobre.

“Coordenei o albergue Casa dos Pobres S. João Batista, durante 20 anos, mas eu nunca cuidei dos pobres. Eu não sou São Francisco de Assis. Até porque a primeira vez que tentei carregar um pobre no meu carro eu vomitei por causa do cheiro”, disse na época o supersincero Greca.

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, disse que diante da fome na pandemia a mobilização pela doação de alimentos cresce a cada dia, mas isso não comove Rafael Greca, prefeito de Curitiba, que, segunda ela, “teve o desplante de enviar à Câmara projeto para punir entidades que distribuem comida à população de rua”. “Está na linha do genocida”, criticou.

Para o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), líder da Minoria na Câmara, a atitude de Greca foi “covarde” e pediu que os vereadores curitibanos barrem a proposta.

O frei Leonardo Boff afirmou que Rafael Greca foi desumano, cruel e sem piedade em sua atitude de enviar o tal projeto de lei à Câmara da capital paranaense.

“O que o prefeito de Curitiba anunciou é cruel, criminalizar a solidariedade é triste, em um momento de crise econômica, onde a miséria e a fome batem a porta dos que perderam emprego e renda por conta da pandemia”, opinou o deputado federal Enio Verri (PT-PR).

Enquanto proíbe ONGs e igrejas de distribuírem alimentos aos pobres em situação de rua, em Curitiba, o prefeito Rafael Greca descreveu nas redes sociais a sua mesa no café da manhã:

“Em casa, figos frescos trazem à mesa memórias do sol do verão, que começa a terminar. Chá verde harmonizado com gengibre e flores de laranjeira. Broa de centeio com gosto de Curitiba. Geléia de laranja azeda, receita de nossas avós. Margarita ilumina a manhã com radioso carinho. O perfume do seu café napolitano inunda a sala”, descreveu o prefeito curitibano em um posto no dia 6 de março.

Segundo seus críticos nas redes sociais, Greca ao cancelar a distribuição de alimentos aos pobres teria dito: “Que comam brioches!”

Acuado com a repercussão da medida higienista, Rafael Greca jurou que foi mal interpretado.

“É uma Lei da Rede de Proteção Social da Cidade mal interpretada por gente ruim. Defendo a Segurança Alimentar e Nutricional dos desvalidos e vulneráveis, com Vigilância Sanitária”, afirmou nas redes sociais.