Início / Curitiba

MP-PR denuncia Tathiana Guzella por fala contra vereadora do PT

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) ofereceu denúncia criminal contra a vereadora Tathiana Guzella (PL) pela suposta prática de discriminação relacionada à procedência nacional contra a também vereadora Antonia Vandecia de Assis, conhecida como Vanda de Assis (PT). A denúncia foi apresentada em 6 de agosto de 2026, um dia depois da sessão da Câmara Municipal de Curitiba em que ocorreu a fala questionada.

Segundo a Promotoria de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos de Curitiba, Guzella teria praticado discriminação e preconceito durante a sessão de 5 de agosto, ao questionar a origem cearense de Vanda de Assis e dizer que ela deveria “voltar pro Ceará” em razão de sua atuação política. O MP-PR sustenta que a manifestação teve intenção de ofender e humilhar a vereadora, além de menosprezar parcela da população cearense.

A acusação foi enquadrada no artigo 20, caput, da Lei 7.716/1989. Na denúncia, o Ministério Público pede à Justiça o recebimento da peça, a citação da vereadora para apresentar resposta à acusação e, posteriormente, o prosseguimento da ação com audiência de instrução e julgamento.

A denúncia, porém, não significa condenação. O processo ainda depende da análise judicial sobre o recebimento da acusação. Caso a denúncia seja recebida, Guzella passará à condição de ré e terá direito à defesa durante a tramitação da ação penal.

MP recusa acordo

Um dos pontos de maior peso jurídico no documento é a decisão do MP-PR de não oferecer à vereadora acordo de não persecução penal (ANPP) nem suspensão condicional do processo.

A Promotoria afirma que esses mecanismos seriam desproporcionais e incompatíveis com a natureza do crime atribuído à vereadora. O órgão também sustenta que não estariam preenchidos os requisitos legais para os benefícios.

Para fundamentar a decisão, o MP-PR cita entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo o qual não é admissível a celebração de acordos em crimes de racismo e injúria racial. A denúncia também menciona precedente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) sobre a incompatibilidade do acordo de não persecução penal com crimes de natureza racial.

O Ministério Público requer ainda que a eventual sentença fixe indenização mínima de R$ 32.420, equivalente a 20 salários mínimos, em favor da vítima. O cálculo é apresentado na denúncia como reparação pelos danos, inclusive morais, atribuídos à conduta.

Além disso, a Promotoria pede outros R$ 64.840, equivalentes a 40 salários mínimos, a título de reparação por dano moral coletivo. O valor, se acolhido pela Justiça, deverá ser destinado ao Fundo Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (FUNDEPPIR).

Crise na Câmara ganha frente judicial

A denúncia acrescenta uma nova frente à crise política instalada na Câmara de Curitiba após o episódio. O caso já havia provocado reação política e pedido de cassação contra Guzella.

Agora, além da discussão no Legislativo municipal, a vereadora passa a enfrentar uma acusação formal apresentada pelo Ministério Público na Justiça criminal.

O documento também registra que a sessão da Câmara de 5 de agosto foi gravada integralmente e disponibilizada no canal oficial da Casa no YouTube. A Promotoria indicou o trecho a partir de 1h13min37s como aquele em que ocorreu a manifestação objeto da denúncia.

A peça foi assinada pelo promotor de Justiça Odoné Serrano Júnior, da Promotoria de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos de Curitiba.

O próximo passo é judicial: caberá à Justiça analisar a denúncia apresentada pelo MP-PR. A partir dessa decisão, o caso poderá avançar para a fase de defesa e instrução processual.

Siga o Blog do Esmael no WhatsApp

*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app.

Receba as notícias do Blog do Esmael

Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Gostou deste artigo?

Adicione o Blog do Esmael como sua fonte preferencial no Google para receber nossas análises políticas em primeira mão.

Adicione como fonte preferencial no Google