O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), só poderá visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar, no próximo dia 29 de setembro, uma segunda-feira, entre 9h e 18h. A autorização foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após pedido da defesa do ex-mandatário e do próprio governador.
Tarcísio havia solicitado encontro para esta terça-feira (16), mas a Corte preferiu adiar a visita em duas semanas. Em política, o tempo é elástico: até lá, Bolsonaro seguirá em prisão domiciliar, uma vez que eventual transferência para regime fechado na Papuda só será possível após o esgotamento de todos os recursos, o que pode avançar até outubro ou novembro.
Nos bastidores, o gesto de Tarcísio tem carga simbólica. Aliado preferencial de Bolsonaro desde 2022, o governador paulista tenta equilibrar sua movimentação para migrar ao PL até dezembro e se firmar como herdeiro político da extrema direita.
O movimento, no entanto, irrita parte do bolsonarismo raiz. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, em autoxílio nos Estados Unidos, articula sanções contra autoridades brasileiras e ameaça se filiar ao PRTB de Pablo Marçal. A ideia é disputar o Planalto em 2026 para esvaziar o projeto de Tarcísio, acusado de “trair” Bolsonaro ao posar de defensor da anistia e, ao mesmo tempo, articular a própria candidatura presidencial.
A narrativa de que Tarcísio estaria “chifrando” Bolsonaro ganhou força após declaração do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Ele admitiu que houve planejamento de golpe de Estado. Apesar disso, criticou a decisão da Suprema Corte, classificando-a como exagerada, mas ressaltou que precisa ser respeitada.
A equação partidária ajuda a explicar a tensão. Se Tarcísio concorresse pelo Republicanos, 40% do fundo eleitoral teria de ser destinado à sua campanha majoritária. Mas o partido, como outros do centrão, está voltado a eleger deputados e pouco se importa com a pauta da anistia. O acordo, portanto, é transferir o governador para o PL, que concentra recursos e militância bolsonarista.
A autorização de Moraes, nesse contexto, amplia a disputa no campo da direita. De um lado, Tarcísio se apresenta como sucessor viável. Do outro, a família Bolsonaro ameaça romper e buscar alternativa própria.
O STF, ao retardar a visita, confirma que a Justiça anda em compasso com o calendário eleitoral. Já Tarcísio, ao insistir na visita e preparar a migração partidária, assume de vez a luta para ocupar o espaço do padrinho. A direita sangra antes mesmo da batalha de 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




