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Meta vai a julgamento e pode perder WhatsApp e Instagram

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WhatsApp e Instagram na mira: entenda o que está em jogo para a gigante das redes sociais

Quatro anos após o processo original, teve início nesta segunda-feira (14) o aguardado julgamento antitruste contra a Meta, dona do Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads. O caso é movido pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) e coloca em xeque a concentração de poder da big tech no universo das redes sociais.

A ação pede a cisão das plataformas Instagram e WhatsApp, com o objetivo de restaurar a concorrência no setor. O desfecho pode remodelar a internet como a conhecemos — mas a tarefa do governo americano está longe de ser simples.

O que a FTC acusa a Meta de fazer?

O cerne da acusação é direto ao ponto: a FTC sustenta que as aquisições do Instagram (2012) e do WhatsApp (2014) foram estratégicas para manter um monopólio ilegal, eliminando concorrentes e sufocando a inovação.

Além disso, segundo os promotores, a Meta teria imposto restrições a desenvolvedores externos, criando um ambiente fechado e dominado por seus próprios produtos.

Defesa da Meta: o mercado mudou (e muito)

Em sua estratégia de defesa, a Meta tenta mostrar que o mercado de redes sociais em 2025 é radicalmente diferente daquele de uma década atrás.

Mark Zuckerberg, CEO da companhia, foi a primeira testemunha convocada. Ao ser questionado sobre o papel central da Meta nas conexões entre amigos e familiares, desviou com firmeza: “Hoje nossos feeds são mais sobre descoberta e entretenimento.”

Na prática, o argumento é que, com a chegada de rivais como TikTok, BeReal, Discord, Substack e até o Bluesky, o domínio da Meta estaria longe de configurar um monopólio — especialmente num setor tão dinâmico e volátil quanto o digital.

Dificuldades e ironias no tribunal

O caso já foi rejeitado uma vez em 2021 por falta de provas concretas de monopólio. O juiz James Boasberg, que permanece à frente do julgamento, autorizou uma nova tentativa após a FTC reformular a argumentação. Mas não sem ressalvas.

Entre os entraves, destaca-se a definição de “mercado de redes sociais pessoais”, proposta pela FTC — que inclui Facebook, Instagram, Snapchat e MeWe, mas ignora TikTok. A exclusão enfraquece a tese de concentração.

Outro problema: a FTC votou por unanimidade a favor da compra do Instagram em 2012. Agora tenta desfazer esse acordo, 13 anos depois, sob nova interpretação legal.

E os consumidores, são prejudicados?

Apesar dos serviços da Meta serem gratuitos, o governo argumenta que o excesso de anúncios, a redução de privacidade e o menor investimento em melhorias nas plataformas seriam sinais claros de prejuízo ao consumidor.

O Instagram, por exemplo, hoje exibe uma enxurrada de propagandas — bem diferente de seus concorrentes descentralizados, como o Bluesky, que optaram por não monetizar com publicidade invasiva.

Meta sob ataque, mas não sozinha

Curiosamente, o julgamento ocorre em meio a um cenário político turbulento nos Estados Unidos. O governo Trump, de volta à Casa Branca, tem interferido abertamente na atuação da FTC — demitindo comissários e ignorando decisões judiciais. A oposição o acusa de agir com dois pesos e duas medidas: protege aliados e persegue desafetos. Ainda que Mark Zuckerberg hoje seja considerado um aliado do presidente, historicamente não figurava entre seus favoritos.

Ainda assim, a posição da Meta no mercado segue poderosa. Mesmo pressionada, continua sendo uma das maiores empresas do mundo em número de usuários e valor de mercado.

O que pode acontecer?

O julgamento deve durar até oito semanas. Caso a FTC consiga convencer o juiz, a Meta poderá ser obrigada a vender o Instagram e o WhatsApp — um movimento inédito na era digital moderna.

Mas especialistas apontam que, mesmo que o governo vença a primeira etapa, os recursos da Meta devem empurrar a decisão final por muitos anos.

A pergunta que fica no ar é: o governo dos EUA realmente vai cumprir a sentença, caso a Meta perca?

O que você precisa saber sobre o julgamento da Meta

O que é um julgamento antitruste?

É um processo judicial que visa investigar e punir práticas de monopólio ou concentração de mercado por empresas. O objetivo é garantir a livre concorrência.

Por que a FTC quer dividir a Meta?

Porque acredita que as aquisições de Instagram e WhatsApp eliminaram a concorrência injustamente e prejudicaram consumidores e desenvolvedores.

O que pode mudar se a Meta perder?

A Meta poderá ser obrigada a vender o WhatsApp e o Instagram. Isso abriria espaço para novas empresas e modelos de negócios no setor.

A Meta tem concorrência hoje?

Sim. TikTok, BeReal, Discord, Bluesky e outras redes disputam atenção dos usuários e vêm ganhando relevância nos últimos anos.

Quando sai a decisão final?

O julgamento deve durar cerca de dois meses. Mas o veredito final pode demorar anos, devido a recursos e manobras judiciais.

O poder digital em xeque

Seja qual for o desfecho, o julgamento antitruste da Meta marca um divisor de águas na relação entre governos e gigantes da tecnologia. É o momento em que o Estado tenta, ainda que tardiamente, recuperar o controle sobre a arquitetura digital que impacta nossas vidas.

Será a Meta a nova Standard Oil do século 21? Ou o governo dos EUA vai fracassar de novo diante das big techs?

No meio dessa batalha de titãs, está o direito à privacidade, à concorrência e à liberdade digital.

Acompanhe todos os desdobramentos no Blog do Esmael, com análises exclusivas e bastidores quentes de Brasília e do Vale do Silício.

Esmael Morais é jornalista e advogado. Fundador do Blog do Esmael, é especialista em bastidores do poder, política e justiça social.

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