Marqueteiro de Ratinho pode ser coordenador-geral de Flávio Bolsonaro

A assessoria do publicitário Jorge Gerez, dono da agência Lua Propaganda, enviou e-mail ao Blog do Esmael para negar dois pontos da matéria anterior: que o governador Ratinho Junior (PSD) tenha indicado seu nome para a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e que ele trabalhará em campanhas eleitorais no Paraná em 2026. A nota, porém, não nega que Gerez possa integrar a estrutura da campanha bolsonarista nacional.

É esse detalhe que acendeu o sinal amarelo em Brasília e em Curitiba.

Na prática, a resposta da assessoria cortou o vínculo formal entre Ratinho e uma eventual escolha de Flávio Bolsonaro, mas deixou em aberto o ponto central do enredo: o marqueteiro de confiança do governador paranaense pode, sim, desembarcar na campanha presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A íntegra da mensagem recebida pelo Blog do Esmael foi a seguinte: “é falsa a informação de que ele trabalhará em campanhas eleitorais no Paraná em 2026. Gerez já assumiu compromissos que impossibilitam sua participação. Também é incorreta a informação de que o governador do Paraná tenha indicado seu nome para a campanha de Flávio Bolsonaro”.

O texto é cirúrgico no que escolhe negar.

A assessoria afasta a hipótese de atuação de Gerez no Paraná e também rejeita que Ratinho tenha sido o padrinho político da aproximação com Flávio Bolsonaro. Mas não fecha a porta para a participação do publicitário na campanha presidencial do PL.

Esse silêncio é o dado novo.

No mundo político, nota oficial também fala pelo que omite. Ao não desmentir de forma direta a entrada de Gerez no projeto nacional de Flávio Bolsonaro, a assessoria acabou reforçando a leitura de que o publicitário está, ao menos, no radar da engrenagem bolsonarista para 2026.

Para Ratinho, a situação continua delicada. Ainda que a assessoria de Gerez negue sua interferência na escolha, o simples fato de seu marqueteiro histórico aparecer associado ao núcleo presidencial do PL mantém de pé a suspeita de que o governador segue tricotando com a cúpula bolsonarista, mesmo depois de o partido abrir espaço para Sergio Moro no Paraná.

A negativa também tem outro peso político. Ao avisar que Gerez não fará campanhas no Paraná em 2026, a assessoria delimita território e sugere que, se houver mesmo participação no ciclo eleitoral, ela estará concentrada fora do estado, em faixa mais alta da disputa.

Traduzindo do burocratês para o português claro, o marqueteiro nega o dedo de Ratinho, nega atuação local, mas não mata a hipótese nacional.

É por isso que a história continua em pé.

Se essa costura se confirmar adiante, o movimento poderá ser lido como mais do que um acerto de marketing. Em Curitiba e em Brasília, a associação entre o marqueteiro de Ratinho e a pré-campanha de Flávio Bolsonaro pode virar peça de um arranjo maior na direita. E, se esse fio chegar inteiro a agosto, no calendário das convenções e dos registros, não será surpresa se a operação acabar ajudando a parir um apoio de Ratinho a Sergio Moro no Paraná.

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