O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) corre para conter o diesel no momento em que o Boletim Focus desta segunda-feira (6) elevou a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 para 4,36% e manteve a taxa Selic esperada em 12,5% no fim do ano. No Planalto, a leitura é direta: combustível caro encarece o frete, pressiona os alimentos e piora o ambiente econômico no varejo da eleição.
A resposta em discussão na equipe econômica é uma nova medida provisória para subsidiar o diesel importado em até R$ 1,20 por litro por dois meses, com a conta dividida entre União e estados. Segundo o desenho apresentado pelo governo, o impacto fiscal total seria de R$ 3 bilhões, com R$ 0,60 por litro bancado por cada lado; na tarde desta segunda, o texto ainda passa por ajustes finais e poderá ser publicado até terça-feira (7).
O governo já tinha aberto uma frente anterior em 12 de março, quando zerou PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel e editou a Medida Provisória nº 1.340/2026, com subvenção federal de R$ 0,32 por litro. No discurso oficial, a meta é impedir que a alta internacional do petróleo chegue ao bolso do motorista, do caminhoneiro e, no passo seguinte, ao preço da comida.
A pressão, porém, subiu de patamar. O Blog do Esmael informou em 24 de março que o preço elevado do diesel se transformou em preocupação central para Lula, candidato à reeleição, justamente porque o combustível tem efeito rápido sobre a cadeia de transporte e sobre a inflação percebida pelo eleitor.
O dado do Focus amplia esse aperto. A projeção de 4,36% fica acima do centro da meta contínua de inflação, fixada em 3%, e se aproxima do limite superior de 4,5%, enquanto o mercado segue vendo juros em dois dígitos no fim de 2026. Traduzindo: o governo tenta aliviar o preço que pesa no caminhão, mas a Faria Lima ainda não comprou a ideia de inflação sob controle.
É aí que economia e eleição se encostam. O diesel mexe com frete, abastecimento e custo da mesa do brasileiro em poucos dias, bem mais rápido do que qualquer peça publicitária do governo. Quando o combustível sobe, a conversa política sai do Palácio do Planalto e entra no supermercado.
A prova de fogo mais imediata já tem data. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga na sexta-feira (10) o IPCA de março, dado que mostrará se a piora das expectativas começou a aparecer com mais força no índice oficial. Se aparecer, Lula terá de correr ainda mais para não deixar o diesel virar cabo eleitoral da inflação.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




