Blog do Esmael, direto de Brasília – Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm presença prevista na posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcada para as 19h desta terça-feira (12), numa cerimônia institucional que já nasce com cheiro de 2026.
Nunes Marques assume o comando da Corte no lugar da ministra Cármen Lúcia. O ministro André Mendonça será empossado como vice-presidente. A nova cúpula do TSE ficará responsável pela condução das eleições gerais de outubro, com poder sobre registros de candidaturas, propaganda, fiscalização, prestação de contas e respostas a ataques contra o processo eleitoral.
A fotografia política da noite é simples e pesada. Lula chega ao TSE como presidente da República e candidato à reeleição. Flávio entra como senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto, escalado pelo bolsonarismo para carregar o sobrenome que a direita radical transformou em projeto permanente de poder.
A cerimônia não é ato de campanha. Mas, na política, palco também fala. A presença dos dois no mesmo salão antecipa o enquadramento que a direita tenta impor à eleição: de um lado, Lula ocupando o espaço institucional; de outro, Flávio Bolsonaro tentando se apresentar como herdeiro direto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O dado sensível está na origem da nova cúpula. Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro em 2020. André Mendonça também chegou ao STF por indicação do ex-presidente, em 2021. Pela primeira vez, ministros escolhidos por Bolsonaro comandarão o TSE durante uma eleição presidencial.
Isso não autoriza suspeita automática contra a Corte. Autoriza vigilância pública, cobrança institucional e leitura política. O TSE não cuida apenas da urna e da logística da votação. A Corte decide registros, propaganda, abuso de poder, contas de campanha, direito de resposta e medidas urgentes contra desinformação.
Flávio Bolsonaro carrega outro peso no salão. Em dezembro, ele anunciou a pré-candidatura à Presidência depois de dizer que recebeu do pai a missão de representar o grupo político da família. A movimentação mexeu com a direita, surpreendeu agentes do mercado e deslocou apostas que ainda viam Tarcísio de Freitas (Republicanos) como nome mais palatável ao centro.
Lula, por sua vez, chega à posse como chefe do Executivo e principal fiador do campo democrático que derrotou Bolsonaro em 2022. Sua presença diante da Corte Eleitoral não é gesto formal de campanha, mas tem consequência eleitoral evidente: o presidente ocupa o ambiente institucional onde parte da disputa de 2026 será regulada.
A eleição deste ano será pressionada por inteligência artificial, redes sociais, financiamento, emendas parlamentares, denúncias de abuso de poder e disputa sobre inelegibilidades. O voto será dado na urna, mas parte importante da guerra política passará por decisões administrativas e judiciais do TSE.
O convite a ex-presidentes, inclusive Jair Bolsonaro e Fernando Collor, foi tratado como protocolo em cerimônias do Judiciário. A presença deles, porém, depende das condições jurídicas de cada um. A informação acrescenta tensão política a uma posse que já reúne governo, oposição, Congresso, Supremo e partidos no mesmo tabuleiro.
Para Flávio Bolsonaro, a solenidade oferece vitrine sem discurso. Para Lula, oferece a chance de marcar presença diante da Justiça Eleitoral que organizará a votação. Para Nunes Marques, começa uma gestão observada por governo, oposição, partidos, imprensa e eleitores, todos atentos ao primeiro sinal de desequilíbrio institucional.
A troca de comando no TSE ocorre antes de a campanha entrar oficialmente na fase mais quente, mas o roteiro já está montado. A Corte terá de equilibrar sobriedade jurídica e velocidade política, especialmente quando fake news, vídeos adulterados e campanhas subterrâneas começarem a testar os limites da lei.
A noite no TSE não decide voto, candidatura ou resultado. Mas fixa uma fotografia incômoda para todos: Lula, Flávio Bolsonaro e a Justiça Eleitoral já estão no mesmo roteiro de 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




