O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o acordo entre Mercosul e a União Europeia só faz sentido se gerar desenvolvimento sustentável e reduzir desigualdades. A declaração foi feita no Rio de Janeiro, ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, às vésperas da assinatura do tratado.
O chefe do Executivo brasileiro enquadrou o acordo como uma aposta no multilateralismo e na retomada de parcerias em “novas bases”, com Estado ativo em áreas estratégicas. Segundo Lula, a abertura comercial precisa caminhar junto com reindustrialização, inovação, agricultura familiar e proteção social.
Lula ressaltou que o texto contempla compromissos com meio ambiente, enfrentamento à crise climática, direitos dos povos indígenas, direitos trabalhistas e igualdade de gênero. Para o presidente, mais comércio e investimentos devem significar empregos e oportunidades “dos dois lados do Atlântico”, sem comprometer políticas públicas.
O acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões, após mais de 25 anos de negociações.
O presidente foi explícito ao rejeitar a manutenção do Brasil como mero fornecedor de produtos primários. Disse que o país quer produzir e vender bens industriais de maior valor agregado e integrar cadeias estratégicas da transição energética e digital, atraindo investimentos europeus.
Além da dimensão econômica, Lula sublinhou valores compartilhados com a Europa, como democracia, Estado de Direito e direitos humanos. Para ele, mais diálogo político e cooperação elevam padrões de proteção trabalhista e ambiental e fortalecem o sistema multilateral.
No terceiro mandato, Lula lembrou que o Mercosul concluiu acordos com a União Europeia, a EFTA e Cingapura. O presidente citou negociações com Canadá, México, Vietnã, Japão e China e confirmou participação no Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá.
O acordo Mercosul-UE será julgado pelo que entregar. Se virar só estatística de comércio, falha. Se impulsionar indústria, emprego e reduzir desigualdades, cumpre o papel histórico que Lula reivindica. O desafio começa na implementação e na vigilância social.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




