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Saída de Kakay põe Master no palanque de Flávio Bolsonaro

A saída do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, da defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), nesta segunda-feira (11), recolocou o caso Banco Master no caminho da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tenta defender discurso anticorrupção enquanto negocia apoio no Centrão.

O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados informou que deixou o caso em “comum acordo” com Ciro. A mudança ocorreu quatro dias depois de o presidente nacional do PP virar alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Polícia Federal (PF) cumpriu mandado de busca e apreensão contra Ciro na quinta-feira (7), em investigação sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A decisão também autorizou bloqueio de bens, direitos e valores de R$ 18,85 milhões.

Ciro nega irregularidades. A defesa do senador afirmou que ele cooperaria com as autoridades e estaria à disposição para prestar esclarecimentos. A decisão do STF citou suspeita de atuação de Ciro em favor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em troca de vantagens indevidas.

A troca de advogado não prova culpa, não muda a presunção de inocência e não antecipa sentença. O fato político, porém, é outro: quando uma banca do peso de Kakay sai de um caso dessa dimensão, a crise deixa de circular apenas nos autos e passa a pesar na mesa de alianças de 2026.

Ainda nesta segunda-feira (11), Ciro informou que escolheu o criminalista Conrado Gontijo para assumir sua defesa. O novo arranjo jurídico tenta reorganizar a resposta do senador no momento em que o PP precisa medir o custo de manter seu presidente nacional no centro da negociação eleitoral.

Flávio Bolsonaro conhece esse custo. Em junho de 2025, ele disse que Ciro tinha “bom perfil” para ser vice em uma chapa presidencial ligada ao bolsonarismo. Depois da operação da PF, Flávio Bolsonaro afirmou que prefere uma mulher como vice e que as conversas seguem com a federação formada por PP e União Brasil, não com Ciro individualmente.

A tentativa de separar Ciro do PP é compreensível do ponto de vista eleitoral. O partido oferece tempo de TV, estrutura, capilaridade regional e articulação no Congresso. Mas o presidente nacional da legenda é justamente o personagem que virou alvo da PF no maior caso financeiro em circulação no país.

Flávio Bolsonaro também tentou fixar uma linha pública de distância. Na quinta-feira (7), sem citar Ciro, defendeu a operação e disse que as denúncias do caso Master deveriam ser apuradas. A frase preserva o discurso anticorrupção, mas não apaga a dependência política do Centrão para uma candidatura presidencial competitiva.

No Paraná, o incômodo tem endereço no PP. O Blog do Esmael mostrou que a crise aberta pela operação colocou o deputado Ricardo Barros (PP-PR), tesoureiro-geral da sigla, no radar de Brasília como nome com trânsito interno em eventual recomposição do comando partidário.

Não há confirmação pública de renúncia, licença ou substituição de Ciro no comando do PP. Também não há ato formal da legenda indicando Ricardo Barros como sucessor. O que existe é uma crise que obriga o partido a proteger sua máquina sem deixar que o caso Master contamine suas alianças estaduais e nacionais.

Para Flávio Bolsonaro, o risco não é jurídico no caso Ciro. O risco é eleitoral. A pré-campanha que tenta cobrar moralidade de adversários terá de explicar por que precisa sentar à mesa com um partido comandado por um aliado sob investigação no STF.

O caso Master entrou no ponto mais sensível da direita: a distância entre o discurso anticorrupção e a engenharia real das alianças. Ciro terá defesa, contraditório e prazo nos autos; Flávio Bolsonaro terá de administrar o custo político do PP antes mesmo das convenções.

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