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A escalada da guerra entre Israel, Irã e Estados Unidos atinge nesta segunda-feira (23) um novo patamar de gravidade. O exército israelense confirmou o bombardeio à instalação nuclear de Fordow — considerada o coração subterrâneo do programa nuclear iraniano — ao mesmo tempo em que lança ataques “com intensidade sem precedentes” contra alvos estratégicos no centro de Teerã.
O ataque ocorre em meio à instabilidade global gerada pela decisão do presidente Donald Trump de envolver formalmente os EUA no conflito, com o bombardeio de três instalações nucleares iranianas no fim de semana. A movimentação americana provocou uma reação em cadeia: Teerã promete vingança, Moscou articula apoio diplomático ao Irã, e Pequim acusa Washington de sabotar sua própria credibilidade internacional.
Bastidores: Trump, Putin e o jogo geopolítico
Fontes diplomáticas revelaram que o chanceler iraniano Abbas Araghchi já se reuniu em Moscou com o presidente Vladimir Putin. A Rússia, embora aliada histórica do Irã, tem adotado cautela pública, evitando um comprometimento militar direto. Nos bastidores, o Kremlin tenta equilibrar o apoio a Teerã com seus interesses no Golfo Pérsico e as relações delicadas com o governo Trump.
Enquanto isso, a China explora o vácuo deixado pela diplomacia americana. Em discurso na ONU, o embaixador chinês Fu Cong afirmou que os EUA “destruíram sua própria reputação” ao bombardear o Irã durante negociações nucleares. Pequim, grande compradora do petróleo iraniano, pressiona por cessar-fogo e teme o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz.
Fordow e o dilema nuclear
A instalação subterrânea de Fordow, situada a sul de Teerã, já foi alvo de ataques anteriores de Israel, mas o bombardeio desta segunda-feira eleva o conflito a um patamar crítico. Satélites registraram danos graves na infraestrutura, segundo militares israelenses. No entanto, cresce a suspeita de que o Irã tenha transferido parte do estoque de urânio enriquecido — próximo ao grau de bomba — para outros locais antes dos ataques.
O programa nuclear iraniano, duramente afetado, mas não eliminado, segue como o epicentro da tensão internacional. Fontes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) admitem desconhecer o paradeiro de 400 kg de urânio enriquecido a 60%, suficiente para a fabricação de armamento nuclear em curto prazo.
EUA em guerra? Debate jurídico acirra Washington
Nos Estados Unidos, cresce o embate institucional sobre a legalidade da ofensiva militar. Trump ordenou os bombardeios sem autorização do Congresso, alegando “imposição de limites ao programa nuclear do Irã”. Parlamentares democratas e parte dos republicanos denunciam que o presidente ignorou a Constituição e arrastou o país para uma guerra sem consulta popular.
O senador Tim Kaine apresentou uma resolução para conter novas ações militares sem aval legislativo. Já a deputada Alexandria Ocasio-Cortez foi mais longe e defendeu o impeachment de Trump. No campo oposto, aliados linha-dura como Lindsey Graham sustentam que o presidente agiu dentro de sua autoridade como comandante-em-chefe.
Israel amplia ofensiva e mira regime iraniano
Em Tel Aviv, o governo de Benjamin Netanyahu afirmou que os ataques visam “desestabilizar o aparato repressivo do regime iraniano”. Além de Fordow, bombardeios atingiram centros de comando da Guarda Revolucionária e instalações militares em Teerã, Karaj e Parchin — onde o Irã é suspeito de ter conduzido testes de explosivos nucleares no passado.
Relatos de moradores indicam explosões intensas e defesa aérea em ação em vários bairros da capital iraniana. O exército israelense também confirmou ataques a lançadores de mísseis em Kermanshah, no oeste do Irã, e a “locais de infraestrutura militar” considerados estratégicos.
Projeções: o que vem pela frente
Diplomatas europeus alertam que a guerra ameaça desestabilizar o Oriente Médio de forma irreversível. A França iniciou a retirada de cidadãos de Israel. A Índia, preocupada com o fornecimento de petróleo, diversifica suas importações para reduzir a dependência do Golfo. O preço do petróleo já supera US$ 80 e pode disparar caso o Irã feche o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo global.
Nos EUA, protestos contra a guerra se multiplicam. No Oriente Médio, o temor é que o conflito evolua para confrontos diretos entre EUA e Irã, com potencial de envolver Rússia, China e atores não estatais como o Hezbollah.
Enquanto isso, o Irã promete “resposta decisiva” aos ataques e considera o martírio uma “bênção”, segundo declarações do alto comando militar.
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O mundo à beira do abismo
O Blog do Esmael segue acompanhando, em tempo real, o que pode se tornar o maior conflito internacional deste século. A entrada dos EUA na guerra, o avanço dos bombardeios israelenses e o sistemático bombardeiro ao programa nuclear do Irã configuram um cenário altamente explosivo, cujas consequências ainda são imprevisíveis.
Resta saber se a diplomacia terá fôlego para evitar o pior ou se o mundo caminha, passo a passo, para uma nova e devastadora guerra no Oriente Médio com potencial de mundialização.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




