O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nesta quinta-feira (2) a ofensiva militar conduzida com Israel contra o Irã, enquanto a conta humana da guerra já se espalha do território iraniano ao Líbano, a Israel, ao Iraque e aos países do Golfo, sem prazo claro para terminar. Em vez de um desfecho rápido, o que aparece no mapa é uma guerra regionalizada, com milhares de mortos, dezenas de milhares de feridos e infraestrutura civil sob ataque.
A nova escalada atingiu alvos que ampliam a pressão sobre civis. Segundo a Reuters, uma ponte entre Teerã e Karaj foi bombardeada, grandes siderúrgicas sofreram danos graves e o Instituto Pasteur do Irã, centro médico e de pesquisa fundado em 1920, também foi atingido.
No discurso em cadeia nacional feito na quarta-feira (1º), Trump disse que os “objetivos estratégicos centrais” dos Estados Unidos no Irã estão perto de ser concluídos, mas não apresentou cronograma concreto para o fim da guerra. Ao mesmo tempo, ameaçou ampliar os bombardeios e voltou a usar a retórica de levar o Irã de volta à “Idade da Pedra”. Teerã respondeu que continuará a contra-atacar.
O dado mais eloquente está no próprio Irã. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho fala em mais de 1.900 mortos e mais de 21 mil feridos no país desde o início dos ataques, em 28 de fevereiro. Já a organização HRANA, citada pela Reuters, aponta 3.519 mortos, dos quais 1.598 civis, incluindo ao menos 244 crianças. A diferença entre os balanços mostra também a opacidade da guerra.
No Líbano, autoridades registram 1.318 mortos desde 2 de março, entre eles ao menos 124 crianças. Em Israel, a Reuters cita 19 mortos por mísseis lançados a partir do Irã e do Líbano, além de 10 soldados israelenses mortos no sul do Líbano. Nos Estados Unidos, 13 militares morreram e mais de 300 ficaram feridos ao longo da campanha, segundo Reuters e Associated Press.
O Iraque soma ao menos 107 mortos, segundo autoridades de saúde. A Reuters também registra mortes e ataques em outros pontos da região: 11 mortos nos Emirados Árabes Unidos, 7 no Kuwait, 3 em Omã, 3 no Bahrein, 2 na Arábia Saudita, 4 na Síria e 4 palestinas mortas na Cisjordânia após um míssil iraniano. A própria agência ressalva que compila números oficiais e que nem todos foram verificados de forma independente.
Há um ponto político e jurídico que agrava o quadro. O ataque ao Instituto Pasteur não surgiu isolado. Em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde informou ter verificado 18 ataques a serviços de saúde no Irã desde o começo da guerra. Quando pesquisa médica, hospitais e infraestrutura sanitária entram na linha de fogo, o custo do conflito deixa de ser apenas militar e passa a corroer a rede de proteção civil.
O que Trump vende como reta final da campanha virou uma conta regional de longo alcance. A guerra já saiu do plano geopolítico abstrato e entrou na vida concreta de civis, soldados, trabalhadores da saúde e populações inteiras que passaram a conviver com mortes, feridos, deslocamento e destruição de infraestrutura essencial.
Em números: o custo humano da guerra em toda a região
- Irã: 1.900 mortos
- Líbano: 1.345 mortos, incluindo 125 crianças; mais de 4.040 feridos.
- Israel: 28 mortos (todos, exceto um, eram civis), incluindo 10 soldados israelenses mortos no Líbano, 3.223 feridos hospitalizados.
- EUA: 13 mortos em combate e dois por causas não relacionadas a combate, mais de 200 feridos
- Cisjordânia: quatro pessoas mortas
- Emirados Árabes Unidos: 12 mortos, 169 feridos
- Bahrein: 3 mortos
- Arábia Saudita: 2 mortos, 20 feridos
- Kuwait: 6 mortos
- Omã: 3 mortos
- Catar: 16 feridos
- Jordânia: 20 feridos
- Síria: 4 mortos
- Iraque: Mais de 107 mortos
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




