A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China voltou com força total, após Donald Trump anunciar tarifas de 100 % sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro.
O governo de Xi Jinping respondeu com novas restrições à exportação de terras raras, insumos vitais para chips, baterias e veículos elétricos.
O estopim da crise foi a decisão de Pequim de exigir licenças especiais para vender minerais estratégicos e tecnologias associadas ao refino e à produção de semicondutores.
As medidas chinesas atingem diretamente fabricantes americanos como Nvidia, AMD e Apple, provocando queda imediata das ações de tecnologia em Wall Street.
Trump, em rede social, classificou as restrições chinesas como “sinistras e hostis” e afirmou que a reação dos Estados Unidos será “financeiramente esmagadora”.
O presidente americano também cogita cancelar o encontro bilateral com Xi Jinping, previsto para o final de outubro, durante o fórum da Apec, na Coreia do Sul.
O movimento de Trump derrubou o índice S&P 500 em 2% e reacendeu temores de ruptura nas cadeias globais de suprimentos.
Para a Casa Branca, a medida é uma resposta à tentativa chinesa de usar o monopólio das terras raras como arma geoeconômica.
Já para Pequim, Washington é o verdadeiro provocador, ao ampliar as restrições de exportação de chips e motores de avião para empresas chinesas.
A China detém 70% da produção mundial de terras raras e 90% do refino químico desses minerais.
Esses elementos são fundamentais não apenas para a indústria civil, mas também para setores de defesa e energia limpa.
A disputa, portanto, ultrapassa tarifas: trata-se de uma corrida por domínio tecnológico e controle de recursos estratégicos do século 21.
Economistas apontam que o Brasil pode se beneficiar desse embate.
As exportações de carne bovina para a China cresceram 38% em setembro, segundo a Reuters, em meio ao bloqueio tarifário americano.
Além disso, o país abriga cerca de 23% das reservas globais de terras raras, podendo emergir como fornecedor alternativo diante da guerra comercial.
A tensão comercial entre Trump e Xi Jinping confirma que a trégua entre as duas maiores economias do planeta era apenas aparente.
O impasse marca um novo ciclo de fragmentação global, com riscos para a estabilidade financeira e oportunidades para países que buscam autonomia industrial e diplomacia equilibrada.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




