O secretário do Desenvolvimento Sustentável Rafael Greca (MDB) agradeceu a Deus, em público, pela decisão de Eduardo Pimentel (PSD) de permanecer na Prefeitura de Curitiba e não entrar na corrida pelo governo do Paraná. A fala, em tom espirituoso, foi feita na noite de segunda-feira (30), durante a inauguração do Museu da Limpeza, e expôs o alívio político de quem viu sumir da capital um concorrente com peso eleitoral.
Greca repetiu a expressão como desabafo. “Graças a Deus!”, disse, arrancando risos da plateia. Na mesma fala, afirmou que o prefeito de Curitiba viveu uma semana de “Dom Pedro I, o Dia do Fico”, numa referência direta à pressão para que Pimentel renunciasse ao cargo e se lançasse ao Palácio Iguaçu.
A pressão partiu do grupo do governador Ratinho Junior (PSD), que queria Eduardo Pimentel fora da Prefeitura para disputar a sucessão estadual. O prefeito resistiu. Preferiu manter-se no cargo que assumiu há pouco mais de um ano e encerrou, ao menos por agora, a especulação sobre sua entrada na disputa de 2026.
Para Greca, a decisão tem efeito prático imediato. Pré-candidato do MDB ao governo do Paraná, ele escapa de um canibalismo político em Curitiba, praça em que Pimentel tem máquina, visibilidade e vínculo direto com o eleitorado da capital. Sem esse competidor no caminho, o ex-prefeito passa a enxergar uma avenida mais larga para buscar apoio no campo governista.
O cálculo é simples. Se Pimentel entrasse na disputa, Greca perderia espaço justamente onde construiu sua força política. Com o prefeito fora do páreo, o emedebista ganha fôlego para tentar atrair Ratinho Junior no percurso até o Palácio Iguaçu, ou ao menos evitar que o apoio do grupo governista se feche contra ele desde já.
A frase de Greca, portanto, teve mais de um sentido. No evento que inaugurou o Museu da Limpeza, ele celebrou também uma espécie de limpeza no congestionamento sucessório da capital. O humor da fala serviu para esconder mal o que havia ali de concreto: alívio, cálculo e reposicionamento.
A inauguração do museu reuniu boa parte do mundo político curitibano e paranaense. Estiveram no local, além de Greca e Pimentel, o vice-governador Darci Piana (PSD), o deputado estadual Requião Filho (PDT), também pré-candidato ao governo, Ney Leprevost (União), Márcia Huçulak (PSD) e Tiko Kuzma (PSD), presidente da Câmara Municipal de Curitiba, além de lideranças sindicais trabalhistas e patronais.
O encontro, que em tese celebrava um novo espaço cultural da cidade, acabou funcionando também como vitrine da sucessão estadual. Cada presença ali carregava mais do que protocolo. Havia disputa de espaço, observação mútua e leitura de movimentos, numa semana em que a política paranaense tenta separar boato, desejo e candidatura viável.
Ao agradecer a permanência de Pimentel na Prefeitura, Greca fez mais do que uma piada de ocasião. Ele revelou, em voz alta, o sentimento de quem percebeu que uma peça importante decidiu não entrar no processo da sucessão.
Por fim, Greca prometeu que irá conceder uma entrevista exclusiva ao Blog do Esmael após as pré-candidaturas saírem do limbo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




