A possível parceria milionária entre o Google e a Secretaria de Estado da Administração do Paraná caiu no radar da oposição e acendeu o sinal de alerta no tabuleiro político do estado.
Funcionários da Celepar, empresa pública responsável por tecnologia e dados do governo paranaense, soaram o alarme. Eles denunciam uma suposta pressão da Secretaria das Cidades, chefiada por Guto Silva (PSD), para viabilizar um contrato robusto com o Google, despertando temores de privatização disfarçada e riscos à soberania digital do Paraná.
Guto Silva, que ensaia candidatura ao governo estadual em 2026, agora vê o tema ganhar repercussão nacional. Isso porque o senador Sérgio Moro (União), também pré-candidato ao Palácio Iguaçu, colocou a lupa sobre os negócios tecnológicos da gestão Ratinho Júnior (PSD).
Por meio da Comissão de Fiscalização e Transparência do Senado, Moro articula uma ofensiva formal. Ele apresentou e aprovou requerimento alegando preocupação com a “proteção de informações sensíveis e estratégicas dos paranaenses e de empresas do Estado”. Nos bastidores, porém, o gesto é lido como prévia da disputa eleitoral.
Em sua investigação no Senado, Moro pode acertar em algo que muitos ainda não veem.

Na Assembleia Legislativa, o presidente estadual do PT, deputado Arilson Chiorato, também se mexe. Ele prepara um pedido oficial de informações à Secretaria de Administração do Paraná sobre os contratos de tecnologia e os vínculos do governo com empresas privadas.
O histórico recente alimenta a tensão. Graças à atuação da oposição, liderada por Chiorato, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) suspendeu um convênio suspeito de R$ 38 milhões entre o governo do Paraná e a Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (Fapec). O TCE apontou irregularidades na contratação, na execução e no desmonte da equipe prevista no projeto.
Agora, a parceria com o Google virou o novo campo de batalha. Segundo fontes do Centro Cívico, o caso tem potencial explosivo e pode desgastar ainda mais o governador Ratinho Júnior às vésperas do calendário eleitoral.
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A corrida pelo controle do governo do Paraná começa, silenciosamente, pela tecnologia e pelos bastidores dos contratos públicos. Moro e a oposição farejam oportunidade política, enquanto o governo tenta manter o discurso de modernização. Resta saber se o caso do Google será o fio da meada que expõe novas fragilidades da atual gestão, que muitos ainda não exergam, além de Moro e Chiorato.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




