A possível escolha de uma mulher para o Supremo Tribunal Federal (STF) recoloca Gleisi Hoffmann (PT-PR) entre os nomes mais fortes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Advogada e ministra das Relações Institucionais, ela reúne o perfil técnico e a confiança política que Lula valoriza em nomeações estratégicas.
A saída antecipada do ministro Luís Roberto Barroso reacendeu a pressão de entidades por diversidade de gênero e raça na Corte.
Hoje, apenas Cármen Lúcia representa as mulheres no Supremo.
Em 134 anos de história, só três ministras ocuparam o cargo.
Gleisi, que presidiu o Partido dos Trabalhadores nos momentos mais críticos da sigla e do próprio Lula, quando o ex-presidente foi ilegalmente preso por 580 dias na Operação Lava Jato, consolidou-se como figura de confiança do Planalto.
O então juiz Sergio Moro, hoje expoente da direita e pré-candidato ao governo do Paraná, foi um dos principais protagonistas daquele período.
Além da fidelidade política, a ministra soma experiência institucional: foi senadora, deputada federal e presidenta do PT nacional.
Licenciada da Câmara dos Deputados, ela transita com desenvoltura entre o Congresso, o Executivo e o Judiciário.
Nos bastidores, aliados lembram que Lula valoriza lealdade e preparo técnico.
Caso a pressão pública pela indicação de uma mulher se intensifique, Gleisi tende a ser a escolha natural.
Fontes próximas ao Planalto descrevem o cenário como “maduro”, sobretudo porque a ministra já teria demonstrado disposição para aceitar a missão, se convidada.
Outros nomes aparecem em listas especulativas, como o ministro do TCU Bruno Dantas, o advogado-geral da União Jorge Messias e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas nenhum deles atende simultaneamente à expectativa de gênero e ao grau de confiança que Lula deposita em Gleisi.
A vaga aberta por Barroso será a 11ª indicação do petista ao Supremo, e ele afirmou que escolherá alguém “gabaritado para cumprir a Constituição”, sem se prender a gênero ou cor.
A declaração, contudo, não freou o debate interno sobre representatividade feminina no Judiciário.
Se o presidente decidir corrigir o histórico de sub-representação de mulheres na Corte, Gleisi Hoffmann, advogada, experiente e fiel, desponta como a aposta mais coerente com a trajetória política e institucional de Lula.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




