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A palavra-chave da manhã em Brasília foi fusão.
Sob a pompa de uma convenção nacional realizada nesta quinta-feira (5), o PSDB oficializou sua união com o Podemos. O novo partido — ainda sem nome — nasce com 28 deputados federais e sete senadores, o que o coloca entre os dez maiores do Congresso.
Mas é o gesto simbólico que fala mais alto: a nova agremiação não lançará candidato à Presidência em 2026. Uma decisão que fecha de vez o ciclo histórico iniciado com Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990.
Fim da era FHC, início do pragmatismo
A fusão marca o enterro político do PSDB programático. O partido que já protagonizou disputas nacionais e formulou o Plano Real agora assume publicamente que a disputa presidencial está fora do seu radar.
Beto Richa, ex-governador do Paraná e deputado federal, foi direto em entrevista à EsmaelTV:
“A orientação é de independência nas eleições presidenciais. Não teremos candidatura própria ao Planalto.”
Alinhamento ao Centrão
Na prática, o novo partido entra no mesmo bloco de legendas que orbitam o governo Lula sem assumir vínculos ideológicos claros — como PSD, União Brasil e PP. Uma lógica que nos bastidores de Brasília é chamada de “governismo funcional”: apoio tático em troca de cargos, orçamento e sobrevida institucional.
Richa, ao ser questionado sobre o fim do protagonismo tucano, reconheceu:
“Perdemos uma grande liderança com a saída de Eduardo Leite. É um momento difícil para o PSDB.”
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O caso explosivo do Paraná
Se a fusão é pragmática em Brasília, no Paraná ela é uma equação instável.
O novo partido reunirá nomes como:
- Beto Richa, liberal moderado e crítico da Lava Jato;
- Cristina Graeml, bolsonarista ferrenha e voz da extrema-direita;
- Alvaro Dias, moralista de ocasião e defensor da Lava Jato.
Apesar das divergências ideológicas e dos atritos públicos, Richa tenta emplacar um discurso de conciliação:
“O importante é o projeto coletivo. Precisamos unir forças para o futuro do estado.”
Mas nos bastidores, poucos acreditam que essa convivência será pacífica.
De partido programático a satélite do poder
Com a nova fusão, PSDB + Podemos abandonam qualquer ilusão de disputar ideias em nível nacional. Em vez disso, passam a operar com um único objetivo: permanecer próximos do governo de turno, seja ele petista, bolsonarista ou qualquer outra versão do poder.
É o velho lema que volta à tona:
“Se hay gobierno, soy a favor!”
O que esperar a partir de agora
O pedido de fusão será apresentado ao TSE até julho, com expectativa de homologação até outubro. Um novo estatuto e programa partidário estão em elaboração, mas o que já está claro é a diretriz central: independência de fachada, alinhamento pragmático nos bastidores.
A política brasileira segue seu curso — agora com um PSDB + Podemos que, ao abrir mão da cabeça de chapa, confirma que o protagonismo ideológico perdeu espaço para a barganha.
Assista à entrevista completa com Beto Richa na EsmaelTV e acompanhe diariamente os bastidores do poder no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




