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Flávio Bolsonaro recusa escolta ao alegar infiltração sem prova

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou no domingo, 19 de julho, que recusará a proteção oferecida pela Polícia Federal (PF) durante a campanha eleitoral. Ele afirmou não confiar no diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e sugeriu que agentes poderiam ser infiltrados em sua equipe, mas não apresentou fatos, documentos ou indícios que sustentem a acusação.

A declaração foi publicada na véspera do início das convenções partidárias, abertas nesta segunda-feira, 20 de julho. Até 5 de agosto, partidos e federações escolherão formalmente os nomes que disputarão as eleições de 2026. A proteção federal depende da homologação da candidatura e de solicitação apresentada pela campanha.

“Não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, escreveu Flávio Bolsonaro. A possibilidade de infiltração foi apresentada pelo senador como justificativa política, não como fato comprovado. A publicação não identifica agentes, episódios anteriores, ordens internas ou qualquer procedimento irregular ligado ao esquema de segurança eleitoral.

Flávio Bolsonaro também pediu que os policiais que seriam destacados para sua proteção fossem empregados na investigação das fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A recusa da escolta, porém, não transfere automaticamente agentes ou recursos para outro inquérito. Os aproximadamente R$ 95 milhões reservados pela PF foram destinados especificamente à segurança dos presidenciáveis, incluindo deslocamentos, equipamentos, capacitação e serviços operacionais.

A operação poderá mobilizar até 458 servidores e atender simultaneamente dez candidaturas. O planejamento prevê veículos blindados, equipamentos de defesa antidrone, reconhecimento facial, monitoramento de ameaças digitais, equipes táticas e kits para vistorias antibombas. Uma central instalada em Brasília acompanhará as agendas e os deslocamentos das equipes em todo o país.

Segundo a PF, cada candidatura terá um plano próprio, elaborado a partir do histórico de ameaças, dos locais dos eventos, dos deslocamentos, das vulnerabilidades e das informações de inteligência disponíveis. Agendas, itinerários, avaliações de risco e composição das equipes serão tratados de forma compartimentada, com acesso restrito aos servidores diretamente envolvidos na proteção.

Esse modelo oficial contraria, até agora, a suspeita genérica lançada por Flávio Bolsonaro. A corporação afirma que a operação seguirá critérios técnicos e tratamento isonômico entre as candidaturas. Não há registro público apresentado pelo senador de que Andrei Rodrigues tenha determinado o ingresso clandestino de agentes em campanhas eleitorais.

A recusa é permitida. A própria PF informou que a adesão é uma prerrogativa de cada candidato e que as campanhas poderão solicitar a proteção posteriormente. A decisão política, entretanto, transfere para Flávio Bolsonaro e para o PL a responsabilidade de explicar como serão protegidos deslocamentos, comícios, convenções e atos com concentração de público.

Segundo registro anterior do Blog do Esmael, integrantes da campanha pretendem manter a segurança realizada pela Polícia do Senado. A alternativa deixa perguntas sobre o alcance da estrutura durante viagens nacionais, os custos dos deslocamentos, a eventual contratação de empresas privadas e a coordenação com as forças de segurança estaduais e municipais.

No Paraná, a decisão terá efeito direto sobre possíveis agendas em Curitiba, na Região Metropolitana e no interior. A campanha precisará informar quem fará o reconhecimento prévio dos locais, o controle dos acessos, a análise de ameaças e a comunicação com as polícias locais caso mantenha a recusa à estrutura federal.

O debate não envolve apenas uma escolha pessoal. A segurança de um presidenciável interfere no funcionamento de vias públicas, aeroportos, eventos partidários e atos com milhares de eleitores. Uma falha de planejamento pode atingir apoiadores, adversários, profissionais de imprensa, policiais e pessoas sem relação com a campanha.

Flávio Bolsonaro pode recusar a proteção federal e criticar a direção da corporação. O que não pode ser tratado como fato é a possibilidade de infiltração apresentada sem prova. Ao substituir um protocolo técnico por uma acusação política, o pré-candidato assume também o dever de demonstrar como protegerá sua campanha sem transferir riscos e custos obscuros para outras instituições públicas.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura política do Paraná, de Brasília e das eleições de 2026.

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