Engorda de Matinhos vai ao MP após sacos de areia no mar

A engorda da praia de Matinhos entrou no radar do Ministério Público do Paraná após sucessivas erosões, sacos de areia arrastados pelo mar e suspeitas sobre a eficácia de contratos milionários do Governo Ratinho Júnior (PSD). Deputados de oposição na Assembleia Legislativa dizem que alguém “engordou mais do que a praia” com a obra.

O alerta partiu do deputado Arilson Chiorato, líder da Oposição e presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Alep. O parlamentar protocolou representação no MP-PR pedindo apuração de danos ambientais, falhas técnicas e possível desperdício de recursos públicos na intervenção no litoral.

O governo estadual investiu cerca de R$ 513 milhões no projeto de engorda. A promessa era ampliar a faixa de areia e proteger a orla contra ressacas. O que se viu, porém, foram episódios recorrentes de erosão, especialmente em trechos de Caiobá, e o deslocamento de milhares de sacos de areia para o mar e praias vizinhas, como Pontal do Paraná.

Registros em vídeo mostram moradores e surfistas retirando sacos de areia de dentro do mar. O material, ao se romper, passa a integrar o ambiente marinho e costeiro, ampliando o risco de poluição e degradação do ecossistema.

Para Arilson Chiorato (PT), a situação exige investigação rigorosa. Segundo ele, o que deveria proteger a praia virou lixo no mar, com dinheiro público sendo engolido pelas ondas. O deputado sustenta que a obra foi mal planejada e agora cobra seu preço da natureza e da população do litoral.

A representação ao MP-PR pede análise do licenciamento ambiental, dos estudos técnicos que embasaram a obra, dos impactos ambientais gerados e da efetividade do gasto público. Também solicita medidas para cessar danos, promover reparação ambiental e responsabilizar eventuais responsáveis, se houver irregularidades.

O tema ganhou força após o deputado Requião Filho (PDT) divulgar vídeo gravado no local das erosões. Ele afirma não ser contra investimentos no litoral ou eventos como o Verão Maior Paraná, mas critica obras feitas às pressas e sem base técnica sólida.

Requião Filho relata que a primeira erosão foi registrada em outubro do ano passado e a segunda no início de janeiro, poucos dias antes da temporada de shows. Com a ressaca recente, o paredão voltou a se formar e o reforço com sacos de areia se desmanchou com a maré alta.

Segundo o parlamentar, técnicos alertaram que a obra não daria certo. Um grupo de pesquisadores de universidade teria emitido três notas técnicas desaconselhando a engorda, apontando riscos ambientais, paisagísticos e financeiros. O governo, diz ele, não quis refazer estudos nem dialogar com especialistas.

No vídeo, Requião Filho acusa o Executivo de priorizar uma obra rápida e com viés eleitoral, enquanto problemas estruturais do litoral seguem sem resposta. Ele cita saneamento básico, hospital regional, investimentos nas ilhas, escolas, segurança e saúde para quem mora o ano todo na região.

A denúncia será analisada pelo Ministério Público do Paraná, que pode adotar providências administrativas ou judiciais a partir das apurações. O litoral paranaense é área de especial proteção ambiental, o que eleva o grau de responsabilidade sobre intervenções dessa magnitude.

A engorda de Matinhos escancara um dilema recorrente no Paraná: obras caras, decisões apressadas e pouco diálogo técnico. Se confirmadas as falhas, o caso tende a virar exemplo de como dinheiro público pode ser literalmente jogado no mar. A investigação do MP-PR será decisiva para separar erro técnico de eventual mau uso de recursos.

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