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Em dia de Quaest, três movimentos fortalecem Lula

Em dia de pesquisa Globo/Quaest sobre a corrida presidencial, três movimentos políticos registrados nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2026, ajudam a redesenhar o ambiente eleitoral: Gilberto Kassab (PSD) declarou que a chance de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) é “zero”; Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, retomou o diálogo com Luiz Inácio Lula da Silva (PT); e o próprio Kassab afirmou que o Centrão está com o presidente.

Para um bom entendedor, meia palavra basta.

Kassab, que disputa a Vice-Presidência da República na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), falou durante evento com empresários em São Paulo e foi direto ao avaliar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo o presidente nacional do PSD, o senador do PL não teria condições de vencer a eleição de 2026.

A declaração ganha peso pelo cargo de Kassab e pelo momento político. O PSD tem Caiado na disputa presidencial, mas Kassab sinalizou que, na avaliação dele, o campo político situado no centro não enxerga Flávio como candidato capaz de construir uma maioria nacional.

Mais do que uma opinião isolada, a fala expõe um problema político para Flávio: a dificuldade de transformar o eleitorado bolsonarista em uma aliança eleitoral capaz de alcançar o centro.

Alcolumbre reata com Lula

O segundo movimento ocorreu no Senado.

Davi Alcolumbre, presidente da Casa, voltou a conversar diretamente com Lula depois de um período de forte desgaste entre os dois. A relação havia azedado especialmente após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A reaproximação deixou de ser apenas protocolar. Depois dos encontros com Lula, Alcolumbre destravou a tramitação de pautas consideradas prioritárias pelo governo, entre elas a proposta de fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e o projeto sobre minerais críticos.

Lula e Alcolumbre tiveram três encontros em dez dias, segundo a imprensa. O movimento mostra que a relação entre Planalto e comando do Senado voltou ao terreno da negociação política, justamente quando a eleição presidencial entra na fase decisiva.

Kassab “sextou” e entregou o terceiro sinal

O terceiro movimento veio novamente de Kassab.

Além de decretar, politicamente, “chance zero” para Flávio Bolsonaro, o presidente do PSD afirmou que os partidos do Centrão estão com Lula.

É uma declaração que merece atenção porque o Centrão não funciona como um bloco ideológico uniforme. O grupo reúne partidos e lideranças que negociam posições de acordo com interesses eleitorais, regionais e institucionais.

Ainda assim, a fala de Kassab revela uma leitura importante do ambiente político: diante da atual configuração da disputa, parte relevante do centro não estaria disposta a apostar em Flávio.

Isso ajuda a explicar por que a eleição de 2026 pode continuar marcada pela vantagem de Lula na formação de alianças, mesmo com uma oposição numericamente relevante nas pesquisas.

A pesquisa chega em meio à movimentação

A Globo/Quaest está prevista para ser divulgada nesta sexta-feira, 14 de agosto. O levantamento anterior, publicado em 5 de agosto, mostrava Lula com 39% no primeiro turno contra 30% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o presidente aparecia com 44%, contra 39% do senador. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O dado político relevante é que a fotografia eleitoral não está isolada das articulações partidárias.

Pesquisa mostra intenção de voto. Alianças mostram capacidade de transformar intenção em estrutura eleitoral. E declarações de dirigentes partidários revelam como os atores políticos estão lendo esse cenário.

É nesse cruzamento que as falas de Kassab e a reaproximação entre Lula e Alcolumbre ganham importância.

Flávio enfrenta o problema do isolamento

Flávio Bolsonaro mantém uma base bolsonarista consistente, mas enfrenta dificuldades para ampliar sua candidatura para além desse núcleo.

O senador do PL também aparece atrás de Lula em levantamentos recentes. Na pesquisa CNT/MDA divulgada em 11 de agosto, Lula tinha 42,4% no primeiro turno contra 28,7% de Flávio. Em um eventual segundo turno, o placar era de 48% a 39% para Lula.

A diferença entre pesquisas recomenda cautela, porque levantamentos têm datas de campo, amostras e metodologias diferentes. Mas existe um ponto comum: Lula aparece competitivo ou na liderança, enquanto Flávio ainda precisa ampliar seu arco de alianças e sua capacidade de atração fora do eleitorado bolsonarista.

O problema, portanto, não é apenas eleitoral. É também político.

Uma candidatura presidencial precisa de votos, partidos, palanques, tempo de propaganda, capilaridade e capacidade de conversar com segmentos que não pertencem ao núcleo duro de sua própria base.

O sinal de Brasília

É por isso que a sexta-feira tem significado especial.

Kassab fala em “chance zero” para Flávio. Alcolumbre reabre a interlocução com Lula. E o presidente do PSD afirma que o Centrão está com o petista.

Nenhum desses movimentos determina o resultado da eleição.

Mas todos produzem um mesmo sinal político: o centro do poder em Brasília continua negociando com Lula, enquanto Flávio Bolsonaro tenta romper o isolamento e transformar a força do bolsonarismo em maioria eleitoral.

Em dia de pesquisa Quaest, como se diz no mundo político, para um bom entendedor, meia palavra basta. E Kassab falou mais de uma vez.

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