A revista britânica The Economist estampou Jair Bolsonaro (PL) na capa com chifres de “viking golpista”, associando-o à invasão do Capitólio em 2021. O gesto editorial ocorre às vésperas do julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF) e reverbera a crise de liderança da direita brasileira, onde Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) já ensaia ocupar o espaço do padrinho político.
Bolsonaro está sendo julgado porque é acusado de participar e instigar a trama golpista de 8 de janeiro de 2023, quando extremistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília (Congresso, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal). Ele poderá pegar mais de 40 anos de cadeia.
No Brasil, o chifre remete a “traição”, metáfora que se aplica tanto à relação pessoal entre Bolsonaro e Tarcísio quanto à imagem internacional. O governador de São Paulo, favorito da Faria Lima e setores conservadores da velha mídia, depende da condenação e eventual prisão de Bolsonaro para viabilizar sua candidatura presidencial em 2026. Seu sucesso eleitoral está atrelado ao insucesso do ex-mandatário.
Há meses, o Blog do Esmael vem registrando de forma recorrente que Tarcísio, outros governadores e líderes do chamado “centrão de direita” já estavam chifrando politicamente o ex-presidente. Por isso, o leitor do Blog do Esmael não se surpreende com a perspectiva agora reforçada pela publicação britânica.

A Economist reforça esse afastamento ao retratar Bolsonaro não como vítima, mas como protagonista de uma “febre populista” que ameaça democracias. Ao compará-lo ao “xamã” trumpista do Capitólio, a publicação sinaliza que o Brasil pode dar uma lição aos EUA caso condene e puna exemplarmente os responsáveis pelo 8 de Janeiro.
Nos bastidores, líderes da direita já percebem que a insistência em blindar Bolsonaro enfraquece a estratégia de poder para 2026. A leitura pragmática é de que Tarcísio, com perfil oligárquico e ligado aos mais ricos, só terá espaço se o bolsonarismo raiz se esfarelar judicialmente.
O movimento da Economist ajuda a cristalizar essa narrativa: Bolsonaro deixou de ser visto como líder incontornável e passou a ser tratado como réu tóxico, comparado a Donald Trump em sua fase de declínio.
Ao pôr chifres em Bolsonaro, Tarcísio e a Economist convergem: ambos traçam o contorno de um pós-bolsonarismo inevitável. Entretanto, o julgamento no STF será mais que a definição do destino de um ex-presidente; será um marco para medir a maturidade democrática do Brasil.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




