Início / Cristina Graeml

Direita racha no Paraná e contradições de Graeml viram alvo

Cristina Graeml, recém-filiada ao União Brasil, partido do Centrão, virou alvo de adversários da própria direita paranaense. Líderes que até pouco tempo orbitavam o mesmo campo político exploram as contradições da jornalista, que em 2022 atacava duramente o União e Sergio Moro (União). O episódio revela que a direita no Paraná também está rachada, a exemplo do que ocorre no cenário nacional.

Na Boca Maldita, tradicional ponto de encontro da classe política em Curitiba, a versão que corre é de que Graeml só ingressou no União por determinação de Guilherme Cunha Pereira, dono da Gazeta do Povo e amigo de Moro. Esse bastidor alimenta a crítica de que a jornalista não teria autonomia política, mas agiria como peça em um tabuleiro controlado por interesses do Centrão.

Os adversários resgatam vídeos de 2022 em que Graeml chamava Moro de “inábil” e “traidor”, relembrando sua passagem meteórica pelo governo Jair Bolsonaro (PL) e a saída conturbada do Podemos. “Conseguiu angariar a fama de traidor no governo federal com a rápida passagem pelo Ministério da Justiça. (…) Agora sofre o peso da traição dentro do União Brasil”, afirmou à época.

Na mesma gravação, ela atacava o próprio União Brasil, legenda que agora a abriga: “É um partido que não tem nenhum apreço por quem votou em Bolsonaro. Juntou-se ao DEM de Rodrigo Maia e arma contra o presidente. É uma armadilha perigosa”.

Dois anos depois, Graeml divide palanque com Moro e busca apoio dentro do Centrão para se viabilizar ao Senado em 2026. Mas a guinada cobra preço: líderes bolsonaristas e de direita raiz não perdoam a mudança de tom, acusando-a de incoerência. O racha no campo conservador no Paraná reflete a crise nacional da direita, dividida entre projetos pessoais e disputas internas.

Adversários da própria direita também apontam a polêmica sobre as relações de Graeml com setores de esquerda. Em 2024, durante a campanha à Prefeitura de Curitiba, ela foi acusada de se aproximar de dirigentes de partidos fora do campo conservador, o que a obrigou a reafirmar publicamente sua condição de “direita raiz”. O desgaste voltou a se repetir no último 7 de setembro, quando apareceu em vídeo ao lado do técnico Vanderley Luxemburgo, lulista declarado em 2022, reacendendo críticas sobre sua coerência política. Na última sexta-feira (26), após ato de filiação no União, ela foi vista almoçando com o ex-deputado do PDT Wilson Picler, que busca vaga de suplência no Senado.

Portanto, a trajetória de Graeml mostra que a política paranaense repete o enredo nacional: uma direita fragmentada, em guerra consigo mesma. As contradições da jornalista servem de munição para adversários do mesmo campo, que veem em sua filiação ao União Brasil mais um sinal de desorganização estratégica. Resta saber quem capitalizará essa divisão até 2026.

Leia também no Blog do Esmael: Cleitinho lidera governo e Aécio desponta para Senado em Minas, revela Paraná Pesquisas; Paulo Martins e Cristina Graeml vêm aí: direita se arma para 2026 no Paraná; Disputa pelo Senado está embolada, diz Paraná Pesquisas