PSTU e PCO podem pedir cancelamento de debate na RPC TV
Os candidatos Felipe Bombardelli (PCO) e Mateus de Mattos (PSTU), únicos preteridos do debate na RPC TV, afiliada da Globo, estudam recorrer à Justiça para cancelar o último confronto televisivo entre os postulantes à Prefeitura de Curitiba. O debate está previsto para esta quinta-feira, 3 de outubro, e promete ser o último grande embate antes da decisão nas urnas.
A emissora limitou os convites aos candidatos cujos partidos têm representação no Congresso Nacional, além daqueles que figuraram entre os cinco primeiros nas duas pesquisas Quaest encomendadas pela própria RPC. Isso excluiu Bombardelli e Mattos, gerando revolta nas campanhas dos pequenos partidos, que alegam injustiça e violação dos princípios democráticos de igualdade na disputa.
O debate contará com a presença de Eduardo Pimentel (PSD), líder nas pesquisas, seguido por Luciano Ducci (PSB), Ney Leprevost (União Brasil), Maria Vitória (PP), Luizão Goulart (Solidariedade) e Professora Andréa Caldas (PSOL). Esses nomes, segundo a RPC, foram selecionados com base na representatividade parlamentar e no desempenho nas pesquisas de intenção de voto.
De acordo com a nova regra da RPCTV, que inclui os candidatos posicionados entre os cinco primeiros nas duas pesquisas do Instituto Quaest, encomendadas pela emissora, Cristina Graeml (PMB) e Roberto Requião (Mobiliza) também participarão do debate.
Os excluídos, Bombardelli e Mattos, representam duas correntes da esquerda combativa e denunciam o que chamam de “censura seletiva”. A exclusão dos dois pequenos partidos, segundo eles, reflete a dificuldade de romper o monopólio dos grandes grupos políticos e midiáticos.
Fontes próximas ao Blog do Esmael revelam que, nos bastidores, PSTU e PCO planejam uma ofensiva jurídica caso não consigam espaço no debate. A estratégia inclui pleitear judicialmente sua participação ou, em última instância, requerer a anulação do confronto televisivo. O argumento principal será o cerceamento do direito ao contraditório e ao debate público, que é essencial em uma eleição majoritária.
A exclusão de Bombardelli e Mattos escancara uma velha questão na política brasileira: o espaço restrito dado aos partidos menores e a concentração de visibilidade em siglas com maior poder econômico e institucional. Embora o critério da RPC seja a representatividade no Congresso e as pesquisas, há uma crítica recorrente sobre o desequilíbrio na cobertura midiática, que tende a favorecer os partidos maiores e perpetuar a polarização política.
O último debate antes do primeiro turno é considerado importante para a definição de votos, especialmente em um cenário acirrado como o de Curitiba. A exclusão dos pequenos partidos não apenas limita a pluralidade de ideias, mas também tira dos eleitores a oportunidade de conhecer propostas alternativas para a cidade.
A disputa pela Prefeitura de Curitiba envolve dez candidatos, todos com diferentes visões sobre o futuro da capital. No entanto, com a exclusão de duas vozes dissonantes no debate, fica o questionamento: quem realmente ganha com a concentração do debate entre os partidos tradicionais?
Os próximos dias serão decisivos, e a Justiça poderá definir se a pluralidade democrática será respeitada ou se o confronto de ideias ficará restrito aos candidatos com maior poder de fogo eleitoral.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




