Deltan Dallagnol olhando para baixo

Deltan Dallagnol recorre aos universitários

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“Pergunte-me como violar a Constituição, o sistema de justiça e as garantias constitucionais do devido processo legal.” Esse deveria ser o tema das palestras do o ex-procurador da República Deltan Dallagnol. No entanto, ele foi convidado para falar no Centro Universitário UniOpet, em Curitiba, nesta quinta-feira (11/05), sobre as “10 maneiras de exercer sua cidadania de forma prática” – uma espécie de autoajuda.

Deltan Dallagnol recorre aos universitários [coitados!] porque ele é pré-candidato a deputado federal pelo Podemos do Paraná.

O ex-procurador da Lava Jato decidiu sair do armário, assumindo a política, depois de ajudar o ex-juiz Sergio Moro quebrar o Brasil e instalar a ‘República do Ódio’ entre as famílias brasileiras. Além, é claro, de perseguir politicamente adversários ideológicos como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou injustamente preso durante 580 dias.

Recentemente, o Conselho de Direitos Humanos da ONU reconheceu o que o Blog do Esmael vem registrando há 7 anos – reverberando a defesa de Lula – a ilegalidade da Lava Jato e o julgamento parcial do ex-presidente. Em abril do ano passado, o Supremo Tribunal Federal também corroborou com a tese de que Moro e a força-tarefa violaram a Constituição para perseguir um adversário político e ideológico.

A UniOpet disse que se trata de uma palestra virtual, por videoconferência, que será transmitida para quatro estados nas modalidades presencial e EAD.

Embora esteja abrindo espaço para quem violou a Constituição Federal, a UniOpet garante que está lançando o projeto “Cidadania Transformadora” com o objetivo de “promover ao longo do ano ações com o objetivo de disseminar conhecimento sobre direitos constitucionais e debater o papel do cidadão brasileiro”.

– A temática principal do programa será ‘Sou cidadão: Tenho direitos e deveres’, em que iremos debater as questões dos direitos e deveres constitucionais e o direito à inclusão digital. Como 2022 é ano de eleições, palco para diferentes assuntos serem abordados democraticamente, a partir de diferentes pontos de vista, o programa pretende disseminar conhecimento com fundamentos legais para ampliar o conhecimento da comunidade acadêmica e da sociedade, combatendo fake news e oportunizando uma cidadania sustentável – disse Cezar Schadeck, coordenador acadêmico do UniOpet.

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Deltan Dallagnol pode perder a inscrição na OAB

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) pediu, nesta terça-feira 10, a impugnação do registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do ex-procurador Deltan Dallagnol, responsável pela força-tarefa Lava Jato de Curitiba.

De acordo com a entidade de juristas, o ex-procurador não se enquadra nos requisitos necessários para postular o registro porque ele não possui idoneidade moral.

A ABJD argumenta que a atuação de Deltan na Lava Jato aponta latente violação do sistema de justiça e das garantias constitucionais do devido processo legal.

O documento ainda pontua que o ex-procurador foi alvo de dezenas de representações no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), as quais teriam sido estrategicamente postergadas até a incidência da prescrição.

Em uma das ações, interposta pelo ex-presidente Lula, o CNMP reconheceu a atuação político-partidária de Deltan.

– Os conselheiros deram parcial provimento ao pleito do ex-presidente da República, proibindo que os procuradores utilizem para fins políticos ou políticos-partidários os equipamentos, instalações e recursos do MPF — esse era o segundo pedido -diz trecho da decisão.

Segundo a ABJD, “as ações do postulante a advogado à frente da operação Lava Jato revelam, unicamente, uma desvinculação integral do respeito à Constituição Federal e a preceitos do cargo público que ocupava, mediante a tentativa de criação de um quarto poder ou poder paralelo, para promover medidas de caráter político-partidário. A conduta e as ações do postulante a advogado sempre se deram em violações às instituições da República e à soberania nacional”.

No documento, a entidade pede que a OAB impugne o pedido de inscrição do ex-procurador no quadro de advogados e que seja instaurado procedimento administrativo para o reconhecimento da condição de inidoneidade moral de Deltan.

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Deltan ataca a ABJD

Em nota, a defesa a assessoria de imprensa de Deltan Dallagnol afirmou que a ação da ABJD “mostra, mais uma vez, que de democracia estes autointitulados ‘juristas’ não entendem nada. Ao mesmo tempo em que defendem com veemência a responsabilização de criminosos apenas após o trânsito em julgado dos processos – o que, na maioria dos casos, resulta em impunidade -, eles agora buscam, de maneira claramente hipócrita, afastar Deltan Dallagnol do exercício de sua atividade profissional sem que sequer exista qualquer procedimento em relação a ele”.

Declara, ainda, que quando Deltan deixou o MPF “não havia nenhum procedimento administrativo disciplinar instaurado contra ele, nem existe condenação que tenha reconhecido qualquer tipo de irregularidade praticada por ele durante sua atuação como procurador da República”.

A equipe de Deltan acrescenta: “Não há nada mais antidemocrático e hostil aos princípios republicanos do que perseguir aqueles que a ABJD vê como adversários políticos apenas porque seu trabalho técnico atingiu seus interesses políticos ou de aliados, principalmente quando o objetivo da ABJD é o de inviabilizar a atividade profissional de Deltan Dallagnol e calar sua voz, com a qual a ABJD claramente se incomoda”.

Moral da história: pobres alunos da UniOpet, que são submetidos à “tortura” de um indigente moral como Deltan Dallagnol.

Com informações da Carta Capital.