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Datafolha encurta disputa e põe Lula e Flávio no limite

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na frente, mas o novo Datafolha mostrou neste sábado (7) que a disputa presidencial de 2026 entrou numa zona de aperto real: no segundo turno, Lula aparece com 46% das intenções de voto, contra 43% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em empate técnico dentro da margem de erro.

O dado central da pesquisa não é apenas a redução da distância.

É a transformação de Flávio em candidato nacional para valer.

No cenário mais provável de primeiro turno, Lula marca 38% e Flávio 32%, enquanto o governador Ratinho Junior (PSD-PR) aparece com 7%, o governador Romeu Zema (Novo-MG) com 4%, Renan Santos (Missão) com 3% e Aldo Rebelo (DC) com 2%. A polarização, que parte do mercado e do centrão ainda tentava contornar, voltou a se impor com força.

O aperto do segundo turno é ainda mais relevante porque representa queda expressiva da vantagem de Lula em relação ao levantamento anterior. Em dezembro de 2025, uma pesquisa do Datafolha então mostrava o petista à frente de Flávio por 15 pontos, 51% a 36%. Agora, a distância caiu para 3 pontos.

Na prática, isso encerra a fase em que a pré-candidatura de Flávio era tratada como blefe familiar ou manobra de pressão.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro passa a ocupar, com números, o espaço de principal referência do campo bolsonarista. A pesquisa se soma a sinais recentes de rua: no começo deste mês, manifestações bolsonaristas já exibiam Flávio como nome da oposição para outubro de 2026.

Para Lula, o resultado mantém a liderança, mas acende alerta político.

O Planalto continua com a vantagem nominal e segue forte em segmentos tradicionais do lulismo, porém já não pode tratar a sucessão como corrida sob controle. O empate técnico no segundo turno mostra que a disputa volta a ser atravessada pela rejeição, pela memória da polarização e pelo desgaste acumulado do ambiente político e econômico. A reedição do confronto entre lulismo e bolsonarismo, agora encarnado em Flávio, deixa menos espaço para candidaturas intermediárias.

Do lado da direita, a consequência é direta.

Quem apostava numa alternativa mais palatável, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), perdeu espaço narrativo. A velha mídia já havia mostrado que investidores preferiam nomes com perfil mais moderado e experiência executiva, mas que Tarcísio acabou declarando apoio a Flávio. Com o novo Datafolha, esse apoio deixa de ser mera lealdade pessoal e ganha racionalidade eleitoral.

O novo levantamento, portanto, não apenas mede intenção de voto.

Ele redistribui poder.

Flávio ganhou centralidade. Lula manteve a dianteira, mas viu sua gordura minguar. E a direita que sonhava com um bolsonarismo sem Bolsonaro recebeu um aviso duro: a base, até aqui, prefere o herdeiro. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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