Índice de Tópicos
O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (Republicanos), será lançado oficialmente ao Senado na segunda-feira, 3 de agosto, numa convenção planejada para demonstrar sua força política própria. Deputado estadual mais votado em 2022 e presente eleitoralmente nos 399 municípios, Curi chega à disputa como primeiro voto da frente governista, apoiado por Ratinho Junior (PSD), mas sustentado por uma rede municipal construída durante mais de duas décadas.
O apoio do governador fortalece a candidatura, mas não explica sozinho o peso político de Curi. A convenção do Republicanos deverá reunir prefeitos, vereadores, deputados, candidatos proporcionais e lideranças do interior ligadas diretamente ao presidente da Alep. Essa capilaridade alimenta a expectativa de que o lançamento seja o maior evento político do Paraná em 2026.
Curi recebeu 237.033 votos na eleição de 2022, a maior votação entre os candidatos à Assembleia Legislativa. Deputado estadual desde 2003, ele ocupou funções centrais na direção da Casa antes de assumir a Presidência no biênio 2025-2027. A trajetória transformou seu mandato numa estrutura política que atravessa regiões, partidos e administrações municipais.
A convenção será a primeira oportunidade de medir publicamente essa capacidade de mobilização na campanha ao Senado. A presença de Ratinho Junior e Sandro Alex (PSD) mostrará a unidade da frente governista, mas o protagonista do ato será Curi. Ele pretende demonstrar que não recebeu apenas uma vaga na composição do Palácio Iguaçu: chega à eleição com votos, aliados e território próprios.
O arranjo governista reservou a disputa pelo governo a Sandro Alex e o primeiro voto senatorial a Curi. Os dois haviam aparecido como alternativas à sucessão de Ratinho. A solução preservou ambos na chapa majoritária e distribuiu funções complementares, sem transformar a candidatura ao Senado em prêmio de consolação.
Curi leva para a campanha de Sandro uma rede de prefeitos, vereadores e lideranças locais. Sandro oferece ao candidato ao Senado o palanque da continuidade administrativa defendida pelo governador. A relação é de soma política: o presidente da Alep tem força própria, enquanto Ratinho amplia essa estrutura com a aprovação de seu governo e o comando da frente partidária.
O bloco reúne PSD, Republicanos, Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), e Federação PSDB-Cidadania. Essa composição concentra mandatos municipais, bancadas legislativas e candidaturas proporcionais capazes de levar o nome de Curi aos eleitores durante a campanha.
O segundo voto governista ao Senado permanece indefinido. Como cada eleitor paranaense escolherá dois candidatos em 4 de outubro, a falta de uma dobradinha formal poderá abrir espaço para alianças cruzadas. Prefeitos e candidatos proporcionais podem trabalhar por Curi no primeiro voto e negociar a segunda escolha com outro campo político.
DataRatinho coloca Curi na faixa competitiva
A pesquisa Bem Paraná/Instituto IRG, divulgada em 29 de julho e apelidada de DataRatinho, oferece a fotografia eleitoral anterior à convenção. Na primeira pergunta estimulada para o Senado, Deltan Dallagnol (Novo) registra 20,8%, Gleisi Hoffmann (PT) tem 18,9%, Alvaro Dias (MDB) aparece com 16,1% e Curi alcança 14,2%.
Filipe Barros (PL) marca 9,3%, Cristina Graeml (PSD) tem 4,6%, Dr. Rosinha (PT) registra 2,8% e Luiz Carlos Hauly (Podemos) soma 1,7%. A diferença de 1,9 ponto entre Alvaro e Curi é inferior à margem geral de erro de 2,83 pontos percentuais informada pelo instituto.
Na segunda pergunta estimulada, Filipe Barros aparece com 14,6%, seguido por Alvaro, com 12,4%, Deltan, com 10,6%, e Curi, com 10,1%. Dr. Rosinha marca 8,4%, Cristina tem 6,8%, Gleisi registra 6% e Hauly alcança 2,3%.
Os resultados das duas perguntas não podem ser somados. O IRG fez consultas separadas para uma eleição com duas escolhas ao Senado. O levantamento ouviu 1.200 eleitores de 16 anos ou mais entre 24 e 28 de julho, tem nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-03191/2026.
Os números não medem integralmente a estrutura que Curi pretende colocar nas ruas depois da convenção. O candidato ainda precisa transformar sua votação estadual, o comando da Alep e a ligação com os municípios em preferência para o Senado, uma disputa diferente da eleição proporcional para deputado.
A convenção ganha importância justamente por marcar essa mudança de escala. Curi deixará de apresentar-se apenas como liderança legislativa para assumir uma candidatura majoritária em todo o Paraná. O tamanho das delegações municipais e a diversidade das presenças políticas permitirão avaliar quanto de sua rede está disposto a participar efetivamente da campanha.
A força de Curi também interessa à sucessão estadual. Na pesquisa estimulada para o governo, Sergio Moro (PL) lidera com 37,4%, Requião Filho (PDT) registra 19,1%, Sandro Alex alcança 16,5% e Rafael Greca (MDB) tem 11,1%.
A diferença de 2,6 pontos entre Requião e Sandro é inferior à margem geral informada pelo IRG. O resultado mostra uma disputa apertada pela segunda posição e aumenta o valor eleitoral da rede municipal de Curi para o candidato escolhido por Ratinho.
Na série divulgada pelo instituto, Sandro registrou 12,3% em maio, 14,4% em junho e 16,5% em julho. As variações precisam ser lidas com as margens de erro das rodadas e não comprovam isoladamente crescimento estatístico, mas indicam aproximação numérica em relação a Requião Filho.
Saídas de Alvaro e Deltan fariam a fila andar
A Superlive do Blog do Esmael levantou dúvidas sobre a permanência de Alvaro Dias e Deltan Dallagnol na corrida pelo Senado. Não existe, porém, retirada confirmada: ambos devem ser tratados como concorrentes enquanto não houver anúncio público, decisão partidária ou impedimento eleitoral.
Se as duas candidaturas não avançarem, a fila andará. Gleisi e Curi passariam a ocupar as duas primeiras posições entre os nomes remanescentes na primeira pergunta estimulada do DataRatinho. A petista registra 18,9%, o presidente da Alep tem 14,2% e Filipe Barros aparece depois, com 9,3%.
Nesse cenário condicionado, Gleisi e Curi seriam os beneficiários iniciais da nova configuração. Isso não significa herança automática das duas vagas, porque a retirada de candidatos redistribui votos, modifica alianças e exige pesquisas com listas atualizadas. O dado mostra apenas a posição de largada dos nomes restantes.
A hipótese reforça a importância da convenção de Curi. Além de retirar dois concorrentes colocados à sua frente na pesquisa, uma eventual mudança deixaria o candidato governista com estrutura municipal, apoio de Ratinho e posição competitiva para disputar uma das cadeiras.
Gleisi também seria favorecida. A candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) possui um campo nacionalizado pelo apoio de Lula (PT) e uma frente estadual vinculada a Requião Filho. Dr. Rosinha aparece como opção progressista para o segundo voto.
Filipe Barros poderia ficar a ver navios em consequência do racha da direita paranaense. O deputado disputa espaço com o governismo de Curi, com o palanque estadual de Moro e com o eleitorado ligado a Deltan. A eventual saída do ex-procurador retiraria um concorrente lavajatista, mas não transferiria automaticamente seus votos ao candidato do PL.
Curi ocupa uma faixa diferente. Sua candidatura nasce do municipalismo, da relação com prefeitos e da estrutura formada ao longo de sucessivos mandatos. Ratinho agrega peso estadual a esse patrimônio político, mas não o substitui.
A convenção de 3 de agosto deverá mostrar exatamente essa diferença. Curi será lançado como primeiro voto da frente governista e aliado de Sandro Alex, porém subirá ao palanque para exibir votos, presença territorial e articulação próprias. Se a mobilização corresponder à rede construída nos municípios, o evento poderá reorganizar a corrida pelo Senado antes mesmo da definição das chapas adversárias.
Acompanhe no Blog do Esmael a convenção de Alexandre Curi e a disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado.
*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app.
Receba as notícias do Blog do Esmael
Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




