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Criptogate com $LIBRA deixa Javier Milei no bico do corvo

O presidente argentino, Javier Milei, encontra-se no epicentro de uma tempestade política e financeira após promover a criptomoeda $LIBRA, que rapidamente desvalorizou, resultando em perdas significativas para milhares de investidores. O episódio, já apelidado de “Criptogate”, levanta questões sobre a responsabilidade presidencial e a vulnerabilidade dos mercados financeiros a esquemas fraudulentos.

Ascensão e queda do $LIBRA

Na sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025, Milei utilizou suas redes sociais para promover o $LIBRA, descrevendo-o como uma oportunidade de investimento destinada a financiar pequenas empresas argentinas. A recomendação presidencial provocou uma valorização meteórica da criptomoeda, atingindo uma capitalização de mercado de quase 4 bilhões de dólares em poucas horas. No entanto, em menos de cinco horas, o valor do $LIBRA despencou de R$ 27,00 para R$ 1,00, deixando mais de 40 mil investidores com prejuízos substanciais.

Milei se autointitula um “libertário tecnológico”, mas o caso LIBRA revela o lado sombrio dessa visão. Enquanto o governo minimiza o escândalo, comparando-o a “um tuíte mal interpretado”, a população questiona: como um economista renomado desconhece os riscos de uma memecoin?

A resposta pode estar no rastro de destruição: 75 mil pessoas afetadas globalmente, perdas de US$ 286 milhões e uma mancha irreparável na credibilidade da Argentina.

Repercussões jurídicas e políticas

A súbita desvalorização do $LIBRA desencadeou uma série de ações jurídicas e políticas. Mais de 100 denúncias foram apresentadas à Justiça argentina, acusando Milei de fraude e associação ilícita. A juíza federal María Servini de Cubría foi designada para conduzir as investigações.

Paralelamente, a oposição peronista iniciou um movimento para um processo de impeachment, alegando que o presidente utilizou sua posição para inflacionar artificialmente o valor da criptomoeda em benefício próprio.

Resposta presidencial e investigações internacionais

Em resposta às acusações, Milei afirmou não ter conhecimento detalhado sobre o projeto $LIBRA e que sua promoção foi um erro. Ele solicitou à Oficina Anticorrupção (OA) que investigue possíveis condutas inadequadas por parte de membros do governo, incluindo ele próprio.

Além disso, devido ao impacto internacional do caso, o FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciaram investigações, uma vez que cidadãos norte-americanos também foram afetados pela queda do $LIBRA.

Apesar da negativa de Milei, o americano Hayden Mark Davis, que lançou a criptomoeda $LIBRA, afirma que é assessor do presidente argentino.

Davis declarou que o lançamento do token foi “um plano que deu muito errado, a nível presidencial” e disse que tinha “todo o dinheiro” para a operação; mas ele apontou a Casa Rosada por tentar se dissociar de Libra. 

“Não vou dar o dinheiro até obter uma resposta de Javier Milei e sua equipe. É por isso que dei a ele uma janela de 48 horas”, disse Davis. 

Milei já promoveu ativos digitais

Esta não é a primeira vez que Milei promove ativos digitais controversos. Em 2022, elogiou a criptomoeda $VULC, que entrou em colapso semanas depois. Também recebeu pagamento para promover a CoinX, plataforma acusada de ser um esquema de pirâmide.

Mauricio Novelli e Manuel Terrones Godoy, traders próximos a Milei, são apontados como “associados” no esquema. Karina Milei, irmã e chefe de gabinete do presidente, está sob investigação por suposto enriquecimento ilícito.

Impacto nos mercados e na confiança pública

O escândalo teve repercussões imediatas nos mercados financeiros argentinos. O índice S&P Merval registrou uma queda de quase 4% na segunda-feira seguinte ao colapso do $LIBRA.

Especialistas alertam que a falta de regulamentação no mercado de criptomoedas pode abrir caminho para mais casos de fraude, ressaltando a necessidade de maior proteção para os investidores.

O “Criptogate” representa um desafio significativo para a administração de Javier Milei, colocando em xeque sua credibilidade e levantando debates sobre a regulamentação das criptomoedas na Argentina. À medida que as investigações avançam, a nação observa atentamente os desdobramentos deste caso que combina política, finanças e ética em um cenário complexo e delicado.

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